No Dia Nacional de Libras, Renata conta sua história

Renata é surda e deu à luz a bebê prematuro em 2018; hoje destaca o acolhimento dos profissionais que sabiam se comunicar com ela


Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Renata com a família felicidade pelo esforço na comunicação dos profissionais de hospital onde filha nasceu

Imagine que você está em um país em que boa parte da população não fala sua língua. Além da dificuldade em conseguir se comunicar com as pessoas, comum no cotidiano, a situação se agrava mais quando ocorre a necessidade de usar, por exemplo, um serviço de saúde.

Visualize agora que, morando nesse país, sua filha nasceu prematura e vai precisar passar meses na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal. Sua angústia de saber informações dos médicos só consegue ser sanada por meio de um intérprete, mas quando está sozinha sofre sem conseguir tirar dúvidas ou saber como a pequena está. Nesse momento, você encontra um profissional da equipe de saúde que conhece o seu idioma. É como uma luz no fim do túnel.

A história foi vivida pela montadora elétrica Renata Pascoal de Oliveira, de 36 anos, moradora de Santa Bárbara d’Oeste. Ela é surda e se comunica por meio de Libras (Língua Brasileira de Sinais), cujo dia é comemorado hoje.

Sua filha Lívia nasceu em setembro do ano passado no Hospital Unimed, em Americana, com apenas 26 semanas e pesando pouco mais de 700 gramas. O papel de “intérprete” entre ela e a equipe médica foi desempenhado pelo marido, o mecânico Paulo Cesar de Oliveira, de 35 anos.

Contudo, profissionais do hospital que conheciam Libras se aproximaram da paciente – que passou cerca de 20 dias internada na unidade e visitou, durante seis meses, a filha na UTI – e iniciaram uma comunicação direta com ela.

“Foi uma alegria ver minha filha respondendo bem aos cuidados recebidos, e tudo melhorou quando começou a ter a participação dos intérpretes. Fico muito feliz em entender a comunicação de todos”, comentou Renata.

“Foi muito legal isso que foi feito, não a deixaram de lado. Passavam as informações para mim e para ela também”, elogiou Paulo. Ele defende a presença de um profissional capacitado em Libras em cada setor de hospitais.

Há sete anos, Renata teve seu primeiro filho, Vitor Augusto. Ele nasceu na rede pública de saúde e, à época, a mãe não encontrou nenhum profissional que se comunicasse com ela em Libras.

O decreto federal 5.626 de 2005 garante que todos os deficientes auditivos têm direito ao atendimento por profissionais capacitados em Libras no SUS (Sistema Único de Saúde).

COMUNICAÇÃO. Uma das pessoas que ajudou na comunicação foi a atendente da recepção do hospital, Selma Amarante. Ela contou que no cotidiano do pronto-socorro se comunica com pacientes surdos, mas esta foi a primeira vez que auxiliou alguém na internação.

“Depois que começamos a nos comunicar em Libras diretamente com a Renata, percebemos que o comportamento dela até mudou. Ela se sentiu confortável, confiante e mais feliz”, destacou.

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