Na região, Americana concentra 44% dos acidentes de trânsito com vítimas

Estatística é do governo estadual e considera período entre janeiro e agosto deste ano; prefeitura diz contestar números


Foto: Leonardo Oliveira / O Liberal
Em Americana, 85,91% dos casos ocorreram em vias municipais, quando a média regional é de 64,25%

Americana concentra 44% dos acidentes de trânsito com vítimas registrados na RPT (Região do Polo Têxtil) entre janeiro e agosto deste ano. Ao todo, 731 das 1.625 ocorrências aconteceram na cidade, segundo dados disponíveis na nova plataforma do Infosiga, que reúne os casos que com mais de um veículo ou pessoas envolvidas – o número não engloba as situações onde houve óbito. A prefeitura diz que possui números conflitantes aos apresentados e que vai avaliar as informações.

Em média, são três acidentes registrados por dia no município – a maior parte envolvendo carros e motocicletas, tendo como horário predominante o intervalo entre 17 e 18 horas – 18,4% dos casos aconteceram nesse período, quando há maior movimento no trânsito.

Na sequência vem Santa Bárbara d’Oeste, com 585 acidentes com vítimas. Mesmo tendo uma população estimada maior que Americana, Sumaré tem índice menor, com 179 casos. Ainda completam a lista Hortolândia, que teve 98, e Nova Odessa, com 32.

Para o cálculo das ocorrências com vítimas são utilizados boletins de ocorrência da Polícia Militar, Polícia Militar Rodoviária, Corpo de Bombeiros e Polícia Rodoviária Federal. Antes o Infosiga disponibilizava apenas os registros com óbito, mas acrescentou os novos dados à plataforma recentemente.

Em Americana, 85,91% dos casos ocorreram em vias municipais, quando a média regional é de 64,25%.

O LIBERAL revelou no início do mês que as ruas de Americana ganharam sete novos carros por dia entre 2017 e 2018. O número subiu de 109.740 automóveis cadastrados para 112.351 no ano passado.

Ao todo, a frota de Americana reunia 186 mil veículos até junho deste ano, número superior ao das outras cidades da região. Sumaré contava com 170 mil, Santa Bárbara d’Oeste tinha uma frota de 145 mil, Hortolândia concentrava 119 mil veículos e Nova Odessa tinha 44 mil em sua frota.

Para Creso Peixoto, professor de Engenharia Civil da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e mestre em transportes, a característica da malha viária de cada cidade influencia no número de acidentes contabilizados.

Isso ajudaria a explicar o motivo de Americana, mesmo com população e frota veicular semelhante a Sumaré, possui mais ocorrências no trânsito. “A extensão de vias expressas e vias com velocidade mais altas é maior em Americana. A medida que a velocidade aumenta, vai aumentando também os acidentes”, ressalta.

O especialista ainda aponta que o número de acidentes na região pode ser diminuído por meio de políticas como melhoria das condições do transporte público e iniciativas de conscientização nas escolas. “Nessas áreas decorre da necessidade do uso do carro. Se nós tivéssemos um transporte público melhor, motoristas profissionais poderiam ajudar a minimizar os acidentes”.

A Prefeitura de Americana informou que a Gama (Guarda Municipal de Americana) atua na fiscalização de trânsito e desenvolve ações educativa nas escolas por meio dos Anjos da Guarda. Neste projeto, os guardas abordam, com os estudantes, questões como álcool na direção; o uso do aparelho celular na direção; entre outros.

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