Mosquitos estão resistindo mais aos inseticidas, revela pesquisa

Pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz revela que o uso indiscriminado de inseticidas no combate ao Aedes aegypti favoreceu o aparecimento de mosquitos


Foto: Arquivo - O Liberal
Mosquito Aedes aegypti ganhou resistência quanto aos inseticidas

O uso indiscriminado de inseticidas no combate ao Aedes aegypti favoreceu o aparecimento de mosquitos resistentes aos dois principais produtos que foram utilizados no Brasil ao longo de anos. Diante da constatação e da falta de opções no mercado, o mais prudente é a ação racional pelo controle químico, favorecendo então o controle mecânico por meio da destruição dos criadouros.

Essa é a conclusão de um estudo comandado pelo Instituto Oswaldo Cruz e coordenado pelo Ministério da Saúde, que utilizou os dados apurados pela pesquisa ao longo do tempo para tomar decisões sobre os inseticidas utilizados. Pela primeira vez, as conclusões do estudo foram publicadas.

A coordenadora da pesquisa, Denise Valle, explicou que existem atualmente apenas cinco inseticidas recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para matar os mosquitos.

Desses, quatro são à base de piretroide. O levantamento estudou a resistência a um desses inseticidas, o deltametrina, e concluiu que as populações de Aedes aegypti no País já são resistentes a quatro desses produtos. O outro inseticida disponível tem como princípio ativo o malathion, atualmente utilizado pelo Ministério da Saúde.

“Um grande alerta desse trabalho é não atribuir ao inseticida a responsabilidade pelo controle do vetor. Quando elimina criadouro, se livra tanto das larvas resistentes quanto das vulneráveis ao inseticida. Você não está selecionando resistências”, explicou.

“O ideal é deixar para usar o inseticida quando necessário – em algum ponto estratégico, bloqueio de surto, criadouro que não possa cobrir”, exemplificou. O piretroide é a mesma substância usada nos inseticidas disponíveis em supermercados e empresas. A resistência levou apenas três anos para surgir.

Já o larvicida temefós, que também foi estudado, demorou 30 anos para favorecer resistência nas populações de larvas do mosquito. Os dois produtos atualmente disponíveis para esse trabalho de combate são usados no País de maneira alternada para evitar a resistência.

A pesquisa foi realizada com base em mais de 700 avaliações em 146 municípios, e publicada na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz.

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