Mortes no trânsito da região crescem 34% nos cinco primeiros meses

Ao todo, foram 39 óbitos registrados entre janeiro e maio deste ano; sem radares, Santa Bárbara registrou maior aumento


A RPT (Região do Polo Têxtil) teve nos cinco primeiros meses deste ano 39 mortes em acidentes de trânsito, um aumento de 34% em relação ao mesmo período de 2018, quando foram 29 óbitos. Os dados são do Infosiga, plataforma criada pelo Estado há quatro anos para registrar a mortalidade no trânsito.

Santa Bárbara d’Oeste foi a grande responsável pela elevação na estatística, com dez mortes registradas entre janeiro a junho, ante três no mesmo período do último ano, resultando em um aumento de 233%. Seis dos óbitos ocorreram em vias municipais, enquanto outros três foram em rodovias – ainda há uma morte não especificada no banco de dados.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Acidentes de trânsito mataram 39 pessoas na região

Em 66% dos casos, os envolvidos conduziam motos, bicicletas ou eram pedestres. Para Creso Peixoto, professor de Engenharia Civil da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e mestre em transportes, esse fator pode ter contribuído para a alta nos dados.

“Os mais frágeis da estrutura do trânsito são pedestres e ciclistas. De dez atropelamentos que aconteçam a 30km/h, um morre. A 50km/h, nove morrem. Portanto, o controle de velocidade é fundamental para salvar a vida daquele que está em baixo”, diz o especialista.

O município barbarense vive um imbróglio com a licitação para operar os radares travada – eles não funcionam há um ano e três meses, quando o contrato entre a prefeitura e a empresa responsável pelos medidores terminou.

Para Creso, outra justificativa pode ser a migração de moradores de outras cidades para Santa Bárbara por conta da oferta de empregos. Desde janeiro, o município gerou 1,4 mil postos de trabalho, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – esse é o melhor índice da RPT.

“Mais gente empregada quer dizer que tem mais trânsito na rua, e tendo mais trânsito, você vai ter mais acidentes. Considerando o aquecimento da economia, isso indica uma conveniência maior de Santa Bárbara fazer uma campanha mais intensa para tentar reduzir a velocidade urbana”, complementou Creso. Questionada, a Prefeitura de Santa Bárbara não comentou os números.

Acréscimo significativo também foi identificado em Sumaré. Foram sete mortes em 2018 e 16 no mesmo período deste ano. A prefeitura afirma que faz um trabalho de prevenção com crianças e adolescentes, ampliou os agentes de fiscalização e melhorou as vias da cidade.

Radares

Na contramão das cidades vizinhas, Hortolândia teve redução de 75% no número de mortes no trânsito nos cinco primeiros meses do ano, com três registros – em 2018, haviam sido 12 óbitos, de acordo com o Infosiga. A prefeitura atribui a redução a uma série de ações desenvolvidas na cidade, entre elas a reativação em janeiro dos radares para fiscalização de velocidade nas principais vias, já que eles estavam desligados desde o final de 2013.

“O trânsito fica mais seguro quando o motorista tem medo de ser flagrado. Isso é no mundo inteiro, não só no Brasil. Quando você tem radares que demoram pra ser instalados, começa a criar aquela sensação de que a velocidade é um pouco perigosa, então o motorista encontra uma boa desculpa pra correr”, diz o professor da Unicamp.

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