04 de junho de 2020 Atualizado 11:46

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Compartilhe

COVID-19

Mesmo com quarentena, lojas de Americana e Santa Bárbara voltam a reabrir

Depois de descumprirem o decreto estadual na véspera de Dia das Mães, parte dos comerciantes segue de portas abertas

Por André Rossi

12 Maio 2020 às 08:24 • Última atualização 12 Maio 2020 às 09:19

Assim como aconteceu no último sábado, véspera de Dia das Mães, comerciantes das regiões centrais de Americana e Santa Bárbara d’Oeste voltaram a reabrir as portas nesta segunda-feira. O LIBERAL flagrou lojas de calçados, roupas e floriculturas funcionando, o que descumpre o decreto de quarentena do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

A reportagem encontrou 11 lojas com meia porta aberta em Americana. Todas ofereciam álcool em gel na entrada para os clientes e exigiam o uso de máscaras.

Em uma loja de roupas da Rua 30 de Julho, os fregueses circulavam livremente e podiam tocar as peças. O proprietário – um homem de 45 anos que pediu para não ser identificado – contou que decidiu abrir no sábado porque outros comerciante estavam trabalhando normalmente.

“As vendas estão devagar e até agora não veio nenhuma fiscalização. Estou só eu, não chamei as meninas [atendentes]. A dificuldade é grande porque estamos pagando aluguel sem estar aberto. Se passar de mais um mês assim eu não dou conta de manter o negócio”, lamentou o comerciante.

A aposentada Lorinete Maria da Conceição, 54, era uma das clientes. “O comércio deve abrir o mais rápido possível porque as pessoas precisam trabalhar, pagar suas contas, viver. Muitas já estão passando necessidade. Não é questão de beleza, passeio. É questão de necessidade”, opinou.

No Centro de Americana, algumas lojas continuam funcionando, apesar de restrição – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Já em Santa Bárbara, a reportagem encontrou 15 estabelecimentos funcionando. O dono de uma loja de roupas de 40 anos, que também pediu anonimato, criticou a prorrogação da quarentena sem flexibilização do comércio.

“Mandam a gente fechar, mas nos mercados os clientes estão um em cima do outro. Tudo má-fé do governador”, criticou o homem.

Presidente da Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), Wagner Armbruster acredita que há uma tendência dos comerciantes buscarem meios de funcionar durante a quarentena. Ele ressalta, no entanto, que a entidade não apoia a reabertura e que os associados devem cumprir o que determina o decreto estadual.

“Legalmente nós não incentivamos, mas quem é proprietário e quer abrir o seu comércio, é por conta e risco dele. Ele tem essa liberdade. (…) Se não houver por parte do governo uma flexibilização, você vai ter automaticamente um processo de desobediência civil escalonada. Desorganizada, mas vai acontecer”, disse Wagner.

Vendas

Como a abertura não foi oficial, a Acia não dispõe de dados sobre o desempenho das vendas no sábado.

Na cidade vizinha, a Acisb (Associação Comercial e Industrial de Santa Bárbara d’Oeste) também não tem dados concretos, porém uma pesquisa por amostragem apontou que a maior parte das vendas se concentrou em floriculturas e lojas de doce.

“Os comerciantes estavam vendendo muito pouco, então ficaram contentes com as vendas, mas nem se compara com o ano anterior”, disse o presidente João Batista de Paula Rodrigues, que reforçou que a entidade não recomenda que os lojistas abram as portas.

A Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste informou que o setor de Fiscalização de Obras e Posturas orientou 38 comerciantes no sábado em relação ao cumprimento do decreto estadual. Nenhum estabelecimento foi lacrado ou multado.

A Prefeitura de Americana foi questionada, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

Podcast Além da Capa
A quarentena decretada no Estado de São Paulo para combater a proliferação da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) completa 50 dias nesta semana. Com as restrições impostas, muitas pessoas tiveram a rotina, hábitos e até o convívio familiar alterado. Nesse episódio, o editor Bruno Moreira conversa com o repórter André Rossi, que ouviu moradores da região para entender como a pandemia mudou a dinâmica de suas vidas.