MEIs representam 96,3% das novas empresas abertas na região

Acic aponta tendência de a modalidade "substituir" o desemprego, que nas cinco cidades da região recuou 17% em junho, na comparação mesmo mês de 2018


Das 51.543 novas empresas abertas em 2019 nas cinco cidades da RPT (Região do Polo Têxtil), 49.654 são, na verdade, MEIs (Microempreendedor Individual), o que representa 96,3% do total. A modalidade também cresceu 24,4% na região de 2018 para este ano. Os dados são da Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas).

Formado em Educação Física, Augusto Pereira Pinto, 31, nunca trabalhou na área e abriu uma MEI em Americana para atuar com algo completamente diferente: prestação de serviços elétricos.

“No meu caso não foi pelo mercado de trabalho. Foram coisas da vida mesmo que aconteceram. Foi uma que na verdade eu me interessei bastante em seguir nela. Eu trabalhava junto com um amigo meu e aí vi que o mercado era bom. Acabei fazendo cursos técnicos nessa área e ingressei com a empresa”, afirmou Augusto.

Entretanto, na visão do economista e diretor da associação, Laerte Martins, o MEI ganhou força na “substituição” do desemprego, já que possibilita o trabalhador a exercer atividades por conta própria. A prática foi impulsionada pela Reforma Trabalhista, em novembro de 2017, e se manteve “em alta” devido ao índice elevado de desemprego.

“O MEI não seria um emprego, mas seria uma atividade pessoal de cada um que não está encontrando postos de trabalho na atividade formal. Não é bem ainda, mas a tendência é de que o microempreendedor individual seja muito mais lotado naquelas pessoas desempregadas, que não têm trabalho formal, e passam portanto a exercer uma atividade por conta própria”, explicou Laerte.

Assim como em 2018, a cidade que liderou a abertura de MEIs neste ano na RPT foi Sumaré, com 13.900 profissionais. Na sequência aparece Hortolândia, com 12.563. O município também foi o segundo com mais aberturas no ano anterior.

Foto: Acic / Diculgação
Economista Laerte Martins afirma que o MEIs é uma alternativa para quem não tem um trabalho formal

“Formalmente, o MEI é uma atividade própria, não tem realmente função direta de susbituir o desemprego, mas na prática é o que a gente está assumindo. É uma maneira de você voltar a se formalizar, acaba tendo a mesma condição de um emprego formal, mas é por conta próprio”, disse o economista.

Desemprego

A estimativa do índice de desemprego na RPT em junho deste ano, em relação ao PEA (População Economicamente Ativa), recuou 17% em comparação a junho do ano passado. Os dados também são da Acic e mostram que há 60.352 desempregados na região contra 71.529 de 2018.

“A perspectiva para julho é de cair um pouquinho mais. Não muito, mas está caindo. É uma tendência que está melhorando. Efetivamente, apesar da gente estar com um desemprego meio assustador, está dando uma ideia na nossa região de que está começando a se movimentar positivamente”, afirmou Laerte.

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