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Região

Jovem morre após ser internado com ‘doença do pombo’

Gabriel Modenesi, de 23 anos, não resistiu a uma parada respiratória após 40 dias internado

Por Ana Carolina Leal

27 Janeiro 2022, às 19h11 • Última atualização 27 Janeiro 2022, às 19h12

Gabriel era natural de Santa Bárbara, mas estava há seis meses morando com a família do namorado em Nova Odessa - Foto: Divulgação

Foi enterrado nesta quinta-feira (27) o jovem barbarense Gabriel Modenesi, 23 anos, que morreu em decorrência de uma pneumonia adquirida após contrair meningite fúngica, também conhecida como doença do pombo.

Gabriel estava internado em um hospital particular de Americana desde 17 de dezembro do ano passado. Ele  morreu na manhã da última quarta-feira (26) após sofrer uma parada respiratória.

A criptococose ou doença do pombo é uma infecção fúngica causada por um fungo que se chama Cryptococcus. Este fungo é eliminado pelas fezes do pombo, que ficam no ambiente ressecadas.

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A transmissão se dá por via respiratória. Acomete primeiramente os pulmões, podendo não manifestar nenhum sintoma. Atinge a corrente sanguínea e normalmente se localiza no cérebro, podendo provocar também uma doença disseminada.

Funcionário público e namorado de Gabriel, Jhordan Luciano Faria, 28 anos, disse em entrevista ao LIBERAL que o jovem começou a se queixar de dores de cabeça em 10 de dezembro. “Ficou internado por três dias e a princípio o diagnóstico foi de enxaqueca muito forte, sendo liberado para tratamento em casa”, explicou.

As dores, no entanto, aumentaram e Gabriel começou a ter convulsões. Voltou para o hospital em 17 de dezembro e três dias depois foi transferido para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

“Os exames diagnosticaram meningite fúngica. Ele, então, teve que ser sedado por conta da pressão intracraniana que estava alta e fazia com que convulsionasse”, explicou Jhordan.

Cerca de oito dias depois de ser levado para UTI, o jovem teve uma crise de pneumonia e precisou ser entubado. Desde então, o estado de saúde dele foi piorando e na manhã da última quarta-feira não resistiu a uma parada respiratória.

“Tive a oportunidade de estar com ele por dois anos, inclusive nossa comemoração foi durante o período que esteve internado. Sempre foi um menino muito gentil, amigo, carinhoso. Tinha uma personalidade forte, era competitivo”, afirmou Jhordan.

Gabriel era natural de Santa Bárbara, mas estava há seis meses morando com a família do namorado em Nova Odessa, onde trabalhava como auxiliar de TI (Tecnologia da Informação) em uma tecelagem. Ele foi enterrado no cemitério de Santa Bárbara, Campo da Ressurreição e deixa os pais Rodolfo Modenesi e Katia Aparecida de Godoi Bueno Modenesi.

Os municípios de Americana e Santa Bárbara d’Oeste não têm estatísticas de casos da doença do pombo. Para evitar o contágio, a Vigilância Epidemiológica de Americana orienta a ter cuidado ao limpar as fezes, já que os fungos presentes nestas podem ser inalados.

Criptococose (doença do pombo)

O que é – a doença do pombo é uma infecção fúngica causada por um fungo que se chama Cryptococcus. Este fungo é eliminado pelas fezes do pombo, que ficam no ambiente ressecadas.

Transmissão – se dá por via respiratória. Pode ser levado pelo ar e as pessoas “respiram” esse fungo. Acomete primeiramente os pulmões, podendo não manifestar nenhum sintoma. Atinge a corrente sanguínea e normalmente se localiza no cérebro, mas pode provocar uma doença disseminada.

Risco de contágio – pessoas que são imunodeprimidas, ou seja, que estão fazendo quimioterapia, são transplantadas ou que usam medicação que diminui a defesa do organismo, têm um maior risco de ter a doença do pombo. Porém, pessoas que não têm nenhuma alteração da imunidade, apesar de ser raro, também podem contrair a doença.

Diagnóstico – pode ser feito por meio de exames de sangue específicos e de imagem como tomografia do torax e do sistema nervoso central. A coleta do liquido da espinha também identifica a presença do fungo.

Tratamento – é feito com a pessoa hospitalizada e com uma resposta que é muito variável. É uma doença grave, mas com chance de cura. A confirmação do diagnóstico tardio pode dificultar ou diminuir as chances de uma resposta satisfatória ao tratamento.

FONTE – Raquel Stucchi, infectologista da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp

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