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Eleição nos EUA

Indústria local monitora efeito de eleição nos Estados Unidos

Resultado pode impactar empresas da região, já que o país norte-americano é um dos principais parceiros comerciais

Por Marina Zanaki

03 nov 2020 às 08:09 • Última atualização 03 nov 2020 às 08:10

A eleição presidencial dos Estados Unidos, marcada para esta terça-feira, está sendo acompanhada com interesse pela indústria local, já que o país é um dos principais parceiros comerciais da RPT (Região do Polo Têxtil).

As empresas estão atentas a eventuais reflexos do novo governo norte-americano que podem influenciar no comércio exterior. Além disso, o pleito em si também aumenta o preço do dólar, situação que tem sido monitorada por empresas que farão investimentos.

Os Estados Unidos são o país que mais vende e compra da indústria de Americana. Desde o início do ano, as empresas da cidade exportaram US$ 29 milhões e importaram US$ 31,9 milhões, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Atual presidente, o republicano Donald Trump, tem pela frente o democrata Joe Biden nas urnas – Foto: Chip Somodevilla / AP / Estadão Conteúdo_22.10.2020

O Ciesp (Confederação das Indústrias do Estado de São Paulo) de Americana, que inclui Nova Odessa e Cosmópolis, reforça que a região tem nos Estados Unidos o principal parceiro comercial. O país representa 23,7% das exportações (US$ 70 milhões) e 17,9% das importações (US$ 54 milhões), segundo levantamento feito pela entidade de janeiro a setembro deste ano.

“Analisando as movimentações das campanhas americanas, existem diferenças entre os candidatos, mas tendo o Brasil como um grande parceiro comercial nada muito drástico deve acontecer, a não ser mudanças pontuais”, diz o diretor do Ciesp de Americana, Carlos Frederico Faé.

Ele entende que o atual presidente, o republicano Donald Trump, tem o fator positivo de apresentar uma convergência política com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, o que pode gerar mais oportunidades de cooperação em assuntos externos. Trump tem como principal concorrente o democrata Joe Biden.

Diretor do Ciesp Santa Bárbara, Nivaldo José da Silva lembra que a entidade se mantém neutra, mas não deixa de acompanhar a eleição norte-americana, pois esta pode impactar as relações comerciais. O empresário destaca que os Estados Unidos são importantes parceiros para empresas da cidade no ramo de máquinas, equipamentos e têxtil.

Ele diz que o empresariado barbarense que tem relação direta com o país está sentindo a oscilação nas bolsas de valores e no preço do dólar, influenciados diretamente pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e, inclusive, pelas eleições.

“Tenho informações de empresas aguardando resultados para fazer investimentos, importar matéria-prima ou máquinas. Estão aguardando porque o dólar está alto para essa operação. O que mais atrapalha é o movimento, esse sobe e desce brusco, que torna o planejamento mais difícil”, explica.

“Quando não há uma boa relação entre os países, a liberação de produtos para importação e exportação se torna mais demorada. Vários setores do Brasil e o Itamaraty nos últimos anos foram costurando acordos bilaterais onde previam essa facilidade de importação e exportação, redução de taxas. Uma vez que se o candidato que ganhar quiser rever acordos, será um pouco mais difícil para as empresas”, completa Nivaldo.

Medo ‘incutido’
Professor de Economia Internacional da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), André Iusif Dainez diz que o medo de que uma mudança de governo pode dificultar relações comerciais com os Estados Unidos é muito mais “incutido” do que real.

“A articulação na era Trump tem se mostrado muito mais fechada, a queda da participação no comércio internacional é evidente. Trump tem argumento de fechar para a indústria doméstica”, afirma o economista.

Para ele, a sensação de segurança proporcionada pelo alinhamento do governo brasileiro com Trump é algo que pode não se sustentar a longo prazo.

O economista avalia que uma política de crescimento mais sustentável do país pode favorecer a economia brasileira em duas frentes. A primeira seria um aumento na demanda por commodities, ou seja, produtos primários, como alimentos e matérias-primas. A segunda seria frear a fuga de capital estrangeiro dos mercados financeiros brasileiros.

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