Gaeco decifra códigos e identifica 78 suspeitos de integrarem o PCC

Apreensão de 'manuscritos' da facção criminosa em 2016 levou o Ministério Público aos integrantes, 11 deles da Região do Polo Têxtil


Uma despretensiosa apreensão de papéis ocorrida em dezembro de 2016 na Penitenciária de Casa Branca levou o Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) de Piracicaba a identificar 78 suspeitos de integrarem o PCC (Primeiro Comando da Capital) na chamada “área 19”, uma referência do código de DDD da região de Campinas.

Desse total, 11 tem atuação na RPT (Região do Polo Têxtil) e já foram denunciados pelo crime de participação em organização criminosa. Os manuscritos são uma espécie de “matrícula” dos membros da facção, e contém informações sobre últimas condenações, prisões por onde passaram, além do “irmão” – como são chamados os integrantes – responsável pelo seu ingresso. Os nomes, no entanto, apareciam em um código alfanumérico.

Foto: Reprodução
Manuscritos da facção criminosa foram apreendidos e ajudaram na investigação

Técnicos da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) conseguiram decifrar esse código para chegar aos nomes dos 78 supostos participantes da facção. Para corroborar essa identificação, o Gaeco juntou às denúncias com os antecedentes criminais e os números de suas matrículas no sistema prisional, que também estavam escritas de forma cifrada nos manuscritos apreendidos. A maioria dos denunciados possui condenações ou processos em andamento por crimes ligados ao tráfico de drogas.

Além do crime de organização criminosa, pelo qual todos os identificados foram denunciados, o MP investiga a participação deles em esquemas de lavagem de dinheiro da facção. Com isso, novos processos criminais contra as mesmas pessoas também podem ser abertos nos próximos meses.
Todas essas ações tramitam em segredo de Justiça.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
A maioria dos denunciados possui condenações ou processos em andamento por crimes ligados ao tráfico

O LIBERAL teve acesso a duas dessas denúncias, que tratam do envolvimento de oito pessoas da região, cinco em Santa Bárbara d’Oeste e três em Americana. Outros três membros do PCC identificados com base nos papéis apreendidos atuam em Sumaré.

Todos eles foram apresentados ao Judiciário no final de novembro, com pedidos de prisão preventiva – tanto para suspeitos já presos quanto para indivíduos em liberdade – e de expedição de mandados de busca e apreensão em seus endereços.

As autorizações judiciais foram emitidas no dia 3 de dezembro e cumpridas um dia depois, dentro de uma operação nacional de combate a facções criminosas do País.

“Fica demonstrado que o PCC age de maneira estruturada na região de Piracicaba, mantendo células interligadas destinadas à prática de crimes. Todas as células cometem vários delitos, como homicídio, roubo, receptação e, especialmente, o tráfico de drogas”, apontam os promotores André Camilo Castro Jardim, Alexandre de Andrade Pereira e André Vitor de Freitas, que assinam as denúncias.

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