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Piracicaba

Ex-vereadora de Piracicaba é encontrada morta com sinais de violência

Madalena foi a primeira transexual eleita em Piracicaba; morte será investigada pelo Deic da cidade

Por Paula Nacasaki

07 abr 2021 às 11:13 • Última atualização 07 abr 2021 às 11:26

A ex-vereadora de Piracicaba Madalena Leite, de 64 anos, foi encontrada morta no início da madrugada desta quarta-feira (7) em sua casa, no bairro Boa Esperança. O corpo apresentava sinais de violência, mas até a publicação desta reportagem nenhum suspeito tinha sido identificado.

A informação da morte da ex-parlamentar foi confirmada pela assessoria de imprensa da Câmara de Piracicaba, que divulgou nota de pesar. Madalena foi a primeira transexual eleita no município.

Madalena somava mais de 25 anos como líder comunitária em Piracicaba – Foto: Fabrice Desmonts / Divulgação

Segundo informações iniciais da PM (Polícia Militar), o corpo foi encontrado por volta de meia-noite e meia com marcas de violência no rosto.

Um vizinho localizou o corpo no sofá da sala. Ele relatou aos policiais que tinha a chave do imóvel, já que sempre estava por ali. Ao chegar na casa, encontrou o portão da frente encostado e acionou a polícia.

O corpo foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal). O caso foi registrado como homicídio e encaminhado para o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de Piracicaba.

O velório de Madalena vai ocorrer das 12h às 15h, no Cemitério da Vila Rezende.

Trajetória política

Madalena tinha como nome de batismo Luiz Antônio Leite. Ela foi eleita vereadora no pleito de 2012, quando recebeu 3.035 votos e teve o segundo melhor desempenho do PSDB nas eleições em Piracicaba. À época, ela já somava 25 anos como líder comunitária e era considerada um ícone na cidade, chamando a atenção por andar pelas ruas usando roupas e acessórios femininos.

Madalena trabalhou desde a adolescência como cozinheira e faxineira, em casas de família e repartições públicas. Como líder social, foi presidente do centro comunitário do bairro Boa Esperança e foi candidata a vereadora quatro vezes (1988, 2004 e 2008 e 2012), obtendo os votos suficientes para se eleger no último.

No fim do seu mandato em 2016, desistiu da candidatura à reeleição na Câmara de Piracicaba. A decisão foi informada por meio de carta, enviada à presidência do partido tucano. Na ocasião, a parlamentar apontou problemas de saúde e agressões racistas e homofóbicas sofridas nas redes sociais durante a gestão no Legislativo como alguns dos motivos para não continuar na carreira política.

“Uma pessoa muito importante para nossa cidade, uma pessoa com seu jeitinho quieto, calmo, tranquilo, sempre lutou pela população mais carente. Sempre esteve ao Executivo discutindo coisas com o prefeito, com o secretário, para atender melhor a população piracicabana, principalmente a população que morava próximo a ela”, disse o presidente da Câmara de Piracicaba, Gilmar Rotta.

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