Em uma década, número de picadas de escorpião cresce 33 vezes em SB

A prefeitura barbarense atribui a alta ao acúmulo inadequado de materiais e lixo e à má organização urbana


O número de pessoas picadas por escorpião cresceu 33 vezes em dez anos em Santa Bárbara d’Oeste, onde uma menina morreu na última quarta-feira após mais um ataque. Neste ano, foram 234 casos até ontem, segundo a prefeitura. Em todo o ano de 2008, a cidade registrou sete ataques. A morte de Maria Eduarda de Araújo Pigatto, 10, foi a primeira em todo esse período, afirma o governo municipal.

Em Sumaré, o crescimento foi semelhante. Saltou de quatro ataques em 2008 para 145 neste ano, 36 vezes mais. Houve uma morte neste ano. Em Americana, cidade que lidera o número de casos, a quantidade de acidentes triplicou de 126 em 2008 para 385 em 2018 (em dado atualizado no último dia 7). É como se uma pessoa picada fosse atendida diariamente na rede municipal de saúde. A cidade registrou duas mortes desde 2013, uma naquele ano e uma em 2017 – a prefeitura não tinha ontem dados anteriores a isso. A Prefeitura de Hortolândia só divulgou os números de 2017 (99) e deste ano (108). Nova Odessa não informou.

Foto: Arquivo / O Liberal
escorpião

Nos anos mais recentes, houve uma evolução significativa de casos em todas as cidades. Em Santa Bárbara, por exemplo, o número saltou 52,25% de 2015 para 2016 (de 178 para 271).

A prefeitura barbarense atribui a alta ao acúmulo inadequado de materiais e lixo e à má organização urbana. O governo informou que realiza ações de dedetização e conscientização. A orientação para evitar o surgimento de escorpiões é manter quintais, jardins e terrenos limpos. Aparar grama, vedar soleiras de portas com saquinhos de areia e colocar telas nas janelas ajuda a evitar a presença do aracnídeo, informa a prefeitura.

Dos 1.473 picados desde 2008 atendidos na rede barbarense, 11 receberam o soro antiescorpiônico (ou 0,75% dos pacientes). A solução antiveneno só precisa ser aplicada em pessoas que desenvolvam as chamadas manifestações sistêmicas (sintomas que vão além da dor local, como vômitos, que podem indicar gravidade), segundo o médico toxicologista e pediatra Fábio Bucaretchi, que coordena um centro de referência sobre o assunto na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

De todos os atendidos em Santa Bárbara, só seis estavam em estado grave. Destes, quatro receberam o soro. Entre elas não estava Maria Eduarda, que morreu antes de a solução chegar ao pronto-socorro (Santa Bárbara não tem a medicação e pediu a Americana). Vinte e sete casos foram considerados moderados, e destes, sete receberam o soro. O resto dos casos (97,8%) foi considerado leve. No Brasil, a proporção de casos leves é de 87%, diz o Ministério da Saúde.

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