Em dez meses, roubos de carga superam recorde

De janeiro a outubro, houve mais crimes do que em cada um dos 16 anos anteriores inteiros na média da região


A RPT (Região do Polo Têxtil) registrou de janeiro a outubro de 2018 mais roubos de carga do que em cada um dos últimos 16 anos inteiros. Os dados são da SSP (Secretaria de Segurança Pública). As cinco cidades da região registraram 241 crimes no período. É o maior número da série histórica iniciada em 2002. Nesses dez meses, houve 13,5% mais roubos do que em todo ano de 2017 – que, até então, era a temporada com o maior número de crimes de toda a série.

Cortada pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes, Sumaré concentra seis em cada dez assaltos efetuados contra caminhoneiros neste ano. Só no município, foram registrados 148 roubos de carga entre janeiro e outubro, 38,3% a mais do que em todo ano passado, quando houve 107 crimes. Se comparados só os dez primeiros meses do ano, a alta foi de 66,2%. Nos dez iniciais de 2017, 89 cargas foram levadas na cidade.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Sumaré, cortada por Anhanguera e Bandeirantes, lidera a estatística

Hortolândia registrou 61 crimes nos dez primeiros meses deste ano (em 2017, foram 66 no ano todo e 57 nos dez primeiros meses do ano); em Santa Bárbara foram nove (em todo 2017 foram oito, todos registrados entre janeiro e outubro); e Nova Odessa assistiu a 14 roubos de carga (em todo o ano passado, foram oito, sendo sete nos primeiros dez meses). Em Americana, o número caiu pela metade. Foram nove neste ano, ante 20 de janeiro a outubro de 2017 (houve 24 em todo ano passado).

Para o coronel da reserva da PM (Polícia Militar) José Vicente da Silva Filho, secretário nacional de Segurança Pública no governo FHC e estudioso da criminalidade, os números indicam ineficiência no combate a esse delito. “Isso está demonstrando que os bandidos estão achando fácil fazer o serviço”. Para ele, o roubo de carga geralmente não é coisa de “bandido amador”, já que requer uma logística rápida entre o roubo e a entrega dos produtos aos receptadores.

O delegado Robson Gonçalves de Oliveira, responsável pelo CIP (Centro de Inteligência Policial) da Delegacia Seccional de Americana, que abrange todas as cidades da RPT, diz que algumas quadrilhas agem na região, mas ainda não se sabe se há relação entre elas. O delegado fez um estudo dos roubos a pedido da delegada seccional, Martha Rocha de Castro, que assumiu o cargo em julho deste ano e disse estar preocupada com esse tipo de crime.

De acordo com o delegado, as cargas mais valiosas levadas na região são de combustíveis.

Conforme noticiado pelo LIBERAL em setembro, dos 148 roubos cometidos no primeiro semestre, em ao menos 99 (66,9% do total) o valor da carga levada era inferior a R$ 100 mil.

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