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LEVANTAMENTO

Em Americana e região, 18 mil endereços não têm número, aponta Censo

Dados colhidos por recenseadores do IBGE mostram o que especialista diz ser uma "falha na cidadania" para os moradores

Por Gabriel Pitor

23 de junho de 2024, às 08h09

Lenilson e a mãe Luzia: duas casas, uma sem número - Foto: Marcelo Rocha/Liberal

A RPT (Região do Polo Têxtil) tem 18 mil endereços sem número, de acordo com a nova base de dados do CNEFE (Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos), divulgada no último dia 14.

O cadastro foi atualizado durante o Censo 2022, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no qual os recenseadores visitaram as residências de todos os municípios e registraram aquelas que não tinham número definido.

Segundo o levantamento, a cidade da região que, proporcionalmente, tem o maior número de endereços sem número é Nova Odessa, com 1.839 – o que representa 5,8% do total. Na sequência, vem Sumaré com 7.114 (5,5% do total), Hortolândia com 4.254 (3,8%), Santa Bárbara com 2.477 (2,8%) e Americana, com 2.937 (2,3%).

Em Americana, com exceção dos assentamentos, os 10 bairros com maior número de casas sem identificação numérica são o Centro (181), Recanto das Águas (126), Vila Cordenonsi (75), região do Jardim Boer (72), Parque Nova Carioba (62), Chácara Letônia (49), região do Cidade Jardim (49), Parque Novo Mundo (47), Jardim Ipiranga (43) e região do Antônio Zanaga (43).

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A atual residência do aposentado Lenilson Ferreira de Melo, de 59 anos, na Avenida Afonso Schmidt, no Zanaga, era antigamente parte de uma só casa — que acabou sendo dividida em duas. Ele ficou com o pedaço sem número, enquanto a sua mãe, Luzia Coelho de Melo, de 86, mora hoje na “casa principal”.

Embora cada residência tenha o seu relógio para medição do consumo de energia elétrica, as contas de água e IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) chegam apenas na residência principal, que tem o número 1.190. Isso os obriga a dividirem os valores.

“Quando colocaram o relógio de força, poderiam ter colocado o número também, né? É que no mesmo terreno moramos eu e minha mãe, então não temos problemas para dividir as contas. Mas a minha casa já foi alugada para outros. Você imagina como que fica?”, disse Lenilson.

No período em que a residência de Lenilson foi locada para outra família, correspondências e entregas chegavam para Luzia, geralmente no período da tarde, quando a dona de casa queria tirar um cochilo.

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“Pedi para puxarem um fio da campainha até dentro de casa para desligar a campainha e não me acordar. A gente almoça e quer tirar um soninho, né? Aí estava me atrapalhando”, contou Luzia, sob risos.

Além do incômodo e dos problemas nas entregas, a falta de numeração também pode dificultar o acesso a serviços públicos, como o acionamento de serviços de emergência. Para o gerente do CNEFE, Eduardo Baptista, isso pode configurar falha na inclusão dessa população.

“A gente entende que a ausência dessa numeração no endereço ou do nome para o logradouro de certa forma configura falha na cidadania desses moradores, pela não formalização daquele endereço no poder público municipal. Essa pessoa está sofrendo algum tipo de ausência de serviço público”, disse.

De acordo com informações do governo federal, a incumbência de definir os nomes das ruas e os números das casas é das prefeituras. O morador pode solicitar à administração municipal que a falta dessa identificação seja solucionada por meio de protocolos locais, mas a prefeitura também pode pedir o desmembramento do terreno ou a atualização da matrícula em alguns casos.

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Ainda conforme dados do CNEFE, Sumaré cidade mais populosa da RPT, tem o maior número de endereços registrados, com 129,2 mil, seguida por Americana com 123,9 mil, Hortolândia com 110,6 mil, Santa Bárbara com 86,9 mil e Nova Odessa, com 31,5 mil.

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