El Niño preocupa Estado por risco de epidemia de dengue

Fenômeno cria condições que favorecem a reprodução e criação do Aedes aegypti


Foto: Cecília Santos - Jornal da Usp
Assessor especial para Doenças Infecciosas da secretaria estadual, Marcos Boulos fez alerta

O aumento nos casos de dengue observado no início deste ano em todo o Estado de São Paulo pode se agravar no próximo verão, entre o final de 2019 e começo de 2020. O motivo é a ocorrência do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, fenômeno conhecido como El Niño, e que tem reflexos na climatologia que podem aumentar a infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

O alerta é do assessor especial para Doenças Infecciosas da Secretaria Estadual de Saúde, Marcos Boulos. Ele lembrou que a explosão de casos de dengue entre 2015 e 2016 pode estar relacionada ao último El Niño, que tinha começado em 2014 e durou dois anos.

“É um fenômeno natural que modifica toda a estrutura de vetores e doenças no mundo. A previsão é que em 2019 e 2020 tenhamos uma epidemia. Temos que tomar muito cuidado com a infestação, se tiver aumento aí sim vamos ter uma epidemia que vai assustar um pouco mais a gente”, alertou.

“Estamos trabalhando com essa possibilidade e trabalhando com os municípios para arrumar um projeto de fato eficaz para evitar os casos que podem ocorrer”, justificou Boulos nesta quinta.

O meteorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, explicou que como o Pacífico é o maior oceano do globo, qualquer mudança em sua temperatura traz alterações atmosféricas em diversas partes do mundo. Com o aquecimento das águas no El Niño, o ar evapora com mais facilidade e deixa a atmosfera mais quente.

No Estado de São Paulo, isso tem reflexos na temperatura, que fica mais alta, e na incidência de chuvas. Com o calor, os mosquitos ficam com o metabolismo mais rápido e sua reprodução é acelerada. O aumento de precipitação, por sua vez, facilita o surgimento de criadouros em locais com água limpa e parada.

O El Niño atual começou no ano passado, mas os efeitos na atmosfera começaram a ser sentidos apenas em janeiro deste ano. Segundo o meteorologista, foi identificada uma tendência que aponta para um fenômeno de baixa intensidade. Contudo, não é possível prever até quando vai atuar.

“Mesmo sendo um El Niño ‘meia boca’, ele já será capaz de trazer um outono e um inverno mais úmidos, com chuvas mais frequentes e temperaturas mais altas que no ano passado. É natural que haja proliferação”.

“Mas não será como em 2015, vai alternar com períodos secos razoavelmente longos. Ainda não temos uma ideia se esse El Niño por estar muito fraco chega até o final do ano”, ponderou.

NÚMEROS. Em todo o Estado de São Paulo, há 81 mil casos de dengue confirmados até o momento – considerado a 13a (Semana Epidemiológica). No mesmo período de 2018, haviam sido contaminadas 3.351 pessoas.

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