Duplicação da linha férrea deve ter início na região

Rumo ALL pede autorização para iniciar os trabalhos no trecho que corta região e promete as obras de contrapartida


Seis anos após enfrentar, e vencer, a resistência das prefeituras da RPT (Região do Polo Têxtil), o projeto de duplicação linha férrea deve, enfim, sair do papel. A Rumo ALL, concessionária responsável pelos trilhos, pediu ao Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) em maio a licença de instalação, que autoriza o início das obras entre Campinas e Itirapina, trecho que passa pela região.

Em 2012, quando o empreendimento foi anunciado, os prefeitos de Americana, Hortolândia, Nova Odessa e Sumaré se recusaram a emitir a certidão de uso de solo, documento obrigatório para o licenciamento ambiental, alegando que uma segunda linha geraria mais transtornos com o aumento no tráfego de composições. Para vencer essa resistência, a então ALL negociou uma série de “contrapartidas”. Em troca da emissão dos documentos, a empresa executaria obras de eliminação ou mitigação de conflitos urbanos.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Rumo ALL conseguiu autorização do projeto de duplicação linha férrea

Em Americana, o acordo previu um investimento de R$ 10 milhões na construção da nova alça de acesso do viaduto Amadeu Elias – para ligar a Rua Dom Pedro à Avenida dos Bandeirantes – uma passarela para pedestres no bairro Guaicurus e melhorias na sinalização do trecho. A concessionária se comprometeu ainda a eliminar as paradas de trens no perímetro urbano.

Quatro meses após conseguir os documentos, a empresa dividiu o projeto ao meio. A duplicação, que seria realizada entre Itirapina e Embu-Guaçu, passando pela RPT, foi subdividida e teve início a partir de Campinas. O trecho, até o Porto de Santos, era o mais importante economicamente para a empresa. Na época, a companhia afirmou que executaria as obras acordadas com os municípios, “quando o empreendimento estivesse em execução”.

Procurada semana passada pelo LIBERAL, a Rumo ALL confirmou o pedido ao Ibama, mas evitou fixar prazos. “A concessionária confirma que solicitou ao Ibama a licença de instalação para duplicar o trecho entre Campinas e Itirapina. A obra está prevista no processo de renovação da concessão da Malha Paulista, que no momento está sob análise da Agência Nacional de Transportes Terrestres. As exigências para a emissão das certidões de uso e ocupação do solo serão realizadas quando a duplicação estiver sendo executada. A duplicação, junto com outras obras de eliminação/mitigação de conflitos urbanos, ainda depende de autorização governamental”, afirmou em nota.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Devanir Cari relembra dia que carro parou em cima dos trilhos

Perigo mora ao lado no bairro Três Pontes

Moradores do bairro Três Pontes, em Sumaré, receberam com pouca surpresa a notícia de que um homem morreu atropelado por um trem na passagem em nível existente no local. O acidente, ocorrido na terça-feira, representa apenas mais um episódio dos muitos anos de convivência com as composições e os perigos trazidos pelo conflito entre o transporte de cargas e o tráfego local.

“Ônibus, por exemplo, não atravessa (a linha férrea). O pessoal vai até a rua de cima para pegar”, relata o aposentado Devanir Cari. Morador do bairro há mais de uma década, ele lembra de histórias que quase tiveram um final parecido. “Tinha um rapaz que vinha sempre aqui de carro, vender carne. Uma vez o carro dele morreu em cima da ferrovia. Ele fez de tudo, mas não pegava. Até que ele gritou, pedindo socorro e o pessoal ajudou ele a sair de lá quando o trem já estava apitando. Não aconteceu nada com ele, mas ele nunca mais voltou aqui”, lembra.

O ajudante geral José Gouveia considera os transtornos causados pela ferrovia “grandes”, mas ressalta que o modal “chegou primeiro”. “Quando viemos morar aqui o trem já passava. Eu acho que a maior parte dos problemas é causado pelas próprias pessoas. O ser humano é difícil. Às vezes o trem está apitando e a pessoa insiste em passar com o carro pra não ficar esperando”, disse.

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