Dom Vilson diz à polícia que recebeu R$ 4 mil de paróquia para uso pessoal

Bispo diocesano de Limeira afirmou que passava por problemas financeiros; padre disse que dinheiro era para casa de praia


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Bispo é investigado pela polícia de Limeira por supostamente extorquir padres subordinados

O bispo diocesano de Limeira, dom Vilson Dias de Oliveira, admitiu à polícia ter recebido R$ 4 mil de uma paróquia de Artur Nogueira para uso pessoal. O sacerdote assinou até um recibo. O valor, em cheque, foi repassado em outubro de 2015. Em depoimento no dia 1º de abril, Vilson disse à polícia que passava por problemas financeiros e por isso recebeu a “doação” da paróquia Nossa Senhora das Dores, subordinada a ele.

O padre Edson Adélio Tagliaferro é o responsável pela paróquia. Ele depôs no dia 22 de março. Segundo Tagliaferro, o bispo disse que precisava do dinheiro para construir um poço artesiano em sua casa de praia em Itanhaém – em seu depoimento, Vilson não explica para que usou o dinheiro.

O bispo é investigado pela polícia de Limeira por supostamente extorquir padres subordinados a ele. O religioso comanda a Igreja Católica em 16 cidades, inclusive Americana. Além disso, a polícia também apura se o bispo acobertou supostos casos de abuso sexual que teriam sido praticados pelo padre Pedro Leandro Ricardo, que foi reitor da Basílica de Americana e está atualmente afastado do cargo.

A apuração sobre violência sexual, que a princípio era conduzida pela Delegacia Seccional de Americana, foi transferida para Piracicaba. O inquérito de Limeira foca exclusivamente a questão financeira.

Tagliaferro disse à polícia que o bispo não fez uma exigência, e sim um pedido. O padre então levou o assunto ao Conselho Administrativo e Econômico da paróquia, composto por fiéis, e se posicionou contra a doação. O grupo também não queria dar o dinheiro, diz o padre. Porém, segundo Tagliaferro, todos do Conselho chegaram à conclusão de que, se os R$ 4 mil fossem negados, poderia haver retaliações e perseguições. O padre disse que Vilson queria construir o poço porque era muito comum faltar água na cidade praiana.

VALOR. Em depoimento, Vilson disse que nunca exigiu dinheiro de nenhum sacerdote, mas admitiu ter recebido o valor. “Na verdade, foi uma doação para me ajudar”, disse o bispo. No mesmo depoimento, o chefe da Igreja Católica na região afirmou que ganha R$ 12 mil de salário como bispo (não esclareceu se já recebia isso em 2015). Vilson também disse que não tem qualquer despesa particular, pois mora em uma casa da Diocese, que é quem banca seus custos.

A assessoria de imprensa da Diocese informou que fez contato com o advogado de defesa de dom Vilson e ele disse que o sacerdote não iria se manifestar porque o inquérito está em segredo de Justiça.

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