Dom Vilson: atuação e denúncias

Religioso chegou a Limeira em 2007 e, dez anos depois, viu seu patrimônio crescer 380%; renúncia dividiu fiéis


Foto: Arquivo - O Liberal
Dom Vilson e padre Leandro Ricardo tinham uma relação próxima

Antes de ter seu nome envolvido nas investigações policiais que culminaram no pedido de renúncia do posto de bispo de Diocese de Limeira, dom Vilson Dias de Oliveira passou 35 dos seus 60 anos como padre, atuando em diversas instituições religiosas.

O papa Francisco aceitou nesta sexta-feira o pedido de renúncia de dom Vilson, suspeito de interferir em apuração de casos de abusos sexuais e tentativa de extorsão. O inquérito que investiga ele e o padre Pedro Leandro Ricardo, afastado da Basílica de Americana, tramita em segredo de Justiça.

Natural de Guairá (SP), dom Vilson ingressou no seminário em 1970. Fez Teologia no Itesp (Instituto Teológico de São Paulo) e mestrado na área de Teologia Pastoral na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção.

Foi ordenado diácono no dia 28 de agosto de 1983. Após anos de ministério presbiteral nos estados de Santa Catarina e São Paulo, assumiu como administrador diocesano na Diocese de Piracicaba em 25 de julho de 2005.

Já no dia 13 de junho de 2007, assumiu a Diocese de Limeira. No mesmo ano, em dezembro, foi nomeado Bispo Referencial da Pastoral da Comunicação no Regional Sul 1 da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil).

Foto: Dener Chimeli - Arquivo - O Liberal
Inquérito que investiga dom Vilson e o padre Pedro Leandro Ricardo, afastado da Basílica de Americana, tramita em segredo de Justiça

Exclusivo. Revelado com exclusividade pelo LIBERAL, o patrimônio de dom Vilson cresceu 380% entre 2008 e 2017, de acordo com suas declarações de IR (Imposto de Renda) entregues para a Polícia Civil. Os documentos mostraram evolução patrimonial de R$ 80,5 mil para R$ 386,4 mil.

No inquérito policial concluído em Limeira para investigar supostas extorsões, consta que Vilson recebeu doação de R$ 4 mil de uma paróquia de Artur Nogueira, informação também divulgada com exclusividade pelo LIBERAL.

A alegação dele é de que passava por uma má fase financeira, mas que jamais exigiu dinheiro. Dizia também que seu patrimônio era oriundo de família e de seu salário de R$ 12 mil como bispo.

No final de janeiro deste ano, em entrevista ao LIBERAL, dom Vilson descartava a possibilidade de deixar o comando da diocese. Dizia que seus inimigos “querem derrubar Deus e todo mundo”.

Já na última quarta, quando questionado pela reportagem se procedia a informação de que ele havia enviado a carta de renúncia ao papa, dom Vilson se limitou a enviar uma mensagem às 22h31 com a frade “nada a declarar”.

Em Limeira, a renúncia de dom Vilson provocou reações diversas. Para a administradora de empresas Rita de Cássia, 51, ele sempre teve uma postura “fria” nas missas que celebrava.

Já a aposentada Nair Beck, 76, disse que desenvolveu uma amizade com dom Vilson. “Senti que ele estava sofrendo. Isso senti, estava sofrendo bastante, mas porque é difícil. Nós vemos os comentários. A gente vê os excessos”, afirmou.

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