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SAÚDE

Dengue já matou 33 em Americana e região; maioria das vítimas tinha 50 anos ou mais

Estatísticas do governo estadual evidenciam versão agressiva da doença, que causou mais de 21 mil infecções no 1º semestre

Por Ana Carolina Leal

07 de julho de 2024, às 08h55

Ação de agentes inclui distribuição de panfletos para conscientizar sobre medidas contra a dengue em Americana - Foto: Marcelo Rocha/Liberal

A RPT (Região do Polo Têxtil) teve 33 mortes e 21,4 mil casos de dengue no primeiro semestre deste ano. O número, no entanto, pode ultrapassar 50, uma vez que há 24 óbitos em investigação.

Os dados do portal do governo do Estado de São Paulo mostram que 75% das mortes, ou 25 óbitos, foram de pessoas com 50 anos ou mais. A doença matou 18 homens e 15 mulheres.

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“Tivemos uma epidemia de dengue como nunca havia tido antes. Se o número de casos aumenta, proporcionalmente aumenta a chance de maior número de óbitos. Neste ano, a doença está mais agressiva, provavelmente o sorotipo do vírus que prevalece está mais agressivo”, afirma Ártemis Kílaris, médica infectologista do Hospital Unimed em Americana.

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Para o infectologista Arnaldo Gouveia Junior, médico há mais de 30 anos, a epidemia apresentou uma incidência elevada em idosos, onde a doença é mais grave. “Ocorreu um evento semelhante há alguns anos, quando começaram a ocorrer surtos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, mas não sei o porquê”, comenta.

Na região, Sumaré, cidade mais populosa, é a mais afetada, com 12 mortes confirmadas e outras cinco sendo investigadas, além de mais de 6,3 mil casos confirmados. Em Americana, a cidade se aproxima de um recorde de óbitos – já são sete, com possibilidade de chegar a 12, já que há cinco sob investigação. Em 2022, o município registrou oito mortes.

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Diretor de Políticas Públicas da Secretaria de Saúde de Santa Bárbara, Thiago Salomão de Azevedo afirma que no município, bem como em toda a RMC (Região Metropolitana de Campinas), estão circulando os sorotipos do vírus 1, 2 e 3.

“O sorotipo 3 estava sem circular na nossa região há mais ou menos 20 anos. Portanto, toda essa população desde o último ano que ele circulou até agora está exposta, suscetível. Além disso, como ele teve uma circulação muito baixa no último ano, existe uma grande quantidade de pessoas suscetíveis ao vírus, então é um sorotipo ‘novo’ que há muito tempo não circulava e agora voltou a circular. Por isso, acredita-se que houve esse boom de casos da doença”, explica.

Segundo Azevedo, as ocorrências de dengue estão dando sinais de queda, mas a circulação dos vírus ainda permanece. “Percebemos que os casos começaram a cair, mas ainda continuam aparecendo. Portanto, a população deve manter as medidas de prevenção, aliás, elas devem ser ininterruptas o ano todo”, conclui.

Sintomas e alertas

Dengue clássica

A dengue clássica é a forma da doença que varia de um quadro assintomático até a apresentação de um leque de sintomas que causam um desconforto significativo ao paciente:

  • Febre alta (39°C a 40°C): É uma febre repentina e abrupta.
  • Dor de cabeça
  • Prostração
  • Dores musculares e/ou articulares
  • Dor atrás dos olhos (retroorbital)
  • Manchas vermelhas: É o que os médicos, cientificamente, chamam de rash cutâneo ou eritema na pele. Visualmente, é, de fato, uma mancha vermelha que, às vezes, pode coçar.
  • Náuseas e vômitos: Aqui, é importante prestar atenção para ter certeza de que não se trata, na verdade, de um sinal de alerta de gravidade. É preciso observar, por exemplo, a frequência desses sintomas. Caso não possam ser controlados e sejam frequentes (o paciente, em geral, reclama que “nada para na barriga”), indicam que algo não vai bem.

Dengue com sinais de alarme

Após a fase febril da doença, é preciso ficar de olho em sintomas que podem indicar um agravamento do caso. A atenção deve permanecer pelo menos até duas semanas após o início da febre. É válido salientar que a maioria das pessoas não evoluí ao caso grave.

Dor na barriga intensa e contínua: Ela é diferente do que popularmente conhecemos por “dor de barriga”, que, em geral, trata-se de uma cólica. Já na dengue com sinais de alarme, essa dor abdominal ocorre devido a um inchaço no fígado, e é contínua e pode vir acompanhada dos seguintes sintomas:

  • Vômitos persistentes
  • Acúmulo de líquidos em cavidades corporais
  • Pressão baixa (hipotensão)
  • Pele pálida e fria
  • Inquietação/irritabilidade
  • Respiração rápida
  • Aumento do tamanho do fígado
  • Sangramento de mucosas: Esses sangramentos podem ser percebidos pela presença de sangue nas gengivas na hora da escovação dos dentes, no nariz, na evacuação ou em um fluxo menstrual mais intenso.
  • Aumento progressivo do hematócrito (porcentagem de volume dos glóbulos vermelhos no sangue); isso só pode ser constatado por meio de exame de sangue.

Grupos de risco

Qualquer pessoa pode evoluir mal e enfrentar a fase crítica da doença. No entanto, de acordo com os especialistas ouvidos pela reportagem, alguns grupos precisam ficar mais atentos, com maior suscetibilidade ao agravamento:

  • Crianças: A preocupação reside principalmente nas mais novas, com menos de 2 anos. Isso porque, nos primeiros anos de vida, convivem com uma “imaturidade” do sistema imunológico e, também, dificilmente têm a capacidade de comunicar com clareza os sintomas que podem ser sinais de alerta. Há possibilidade de o bebê herdar anticorpos antidengue da mãe e que, quando infectado pela primeira vez, na verdade, é como se estivesse vivendo a doença pela segunda vez – situação que tende a ser mais perigosa.
  • Segunda infecção: A segunda vez com a infecção está associada a uma maior possibilidade de agravamento do quadro. Isso porque o sistema imunológico entende que aquele vírus é o mesmo, e não um sorotipo diferente. Dessa maneira, ele produz anticorpos para a infecção do passado. Além de não serem efetivos, esses anticorpos “desatualizados” favorecem a replicação viral, internalização do vírus e, portanto, uma maior gravidade da doença.
  • Pessoas com comorbidades: A exemplo de hipertensos e diabéticos.
  • Gestantes: Nelas, o metabolismo, os hormônios e a resposta imune são diferentes.
  • Idosos (60 anos ou mais): De acordo com especialistas, indivíduos nos extremos de idades – crianças muito pequenas e idosos – têm sistemas imunológicos mais frágeis. Além disso, nessa fase da vida, é comum a pessoa conviver com comorbidades.

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