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Impacto na educação

Déficit de aprendizagem gerado pela pandemia só será recuperado em três anos

Estado pretende realizar diagnóstico individual dos alunos e oferecer opção de um 4º ano do ensino médio

Por André Rossi

25 jun 2020 às 08:23

O déficit de aprendizagem provocado pela suspensão das aulas presenciais é algo que só deve ser recuperado dentro de dois ou três anos. A previsão é do secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, que diz que a prioridade é retomar as aulas com qualidade e de forma gradual.

Nesta quarta-feira, o governo paulista anunciou o plano de retomada para todos os níveis de ensino das redes pública e privada a partir de 8 de setembro. O cronograma só vai acontecer se todo o Estado estiver na fase 3 (amarela) do Plano São Paulo de flexibilização.

Secretário de Educação, Rossieli Soares, durante coletiva nesta quarta, no Palácio dos Bandeirantes – Foto: Governo do Estado de São Paulo_24.06.2020

“Não adianta eu estender em mais dois, três meses [as aulas]. Não é isso que vai resolver o problema da aprendizagem. Esse problema será resolvido em dois ou três anos. Essa é a realidade. Nós temos um impacto muito claro”, afirmou Soares.

Desde que as aulas presenciais foram totalmente suspensas por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em 23 de março, as instituições adotaram meios digitais para seguir como as aulas à distância.

Diante deste cenário, o Estado pretende realizar um diagnóstico dos estudantes na retomada para construção de planos de recuperação individualizados, além de um material didático de ensino híbrido, que combina aprendizado online com o offline.

“O nosso planejamento de recuperação vai até o final de 2022. É quando a gente acredita que vai conseguir equilibrar”, ressaltou Soares.

Já no caso dos alunos do ensino médio, a ideia é oferecer um “4º ano” optativo para aqueles que queiram se preparar durante mais um ciclo para o ensino superior. Os detalhes dessa e das demais propostas devem ser apresentadas até o final de julho.

Questionadas, as prefeituras de Americana, Hortolândia e Sumaré disseram que as respectivas secretarias de Educação vão discutir assunto com o conselho de Educação e o comitê de enfrentamento ao coronavírus para definir como a retomara será realizada.

Já Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste informaram que vão aguardar o planejamento do Estado para avaliar os detalhes e definir as ações necessárias.

Repercussão
A avaliação do secretário estadual foi vista com bons olhos por profissionais da RPT (Região do Polo Têxtil).

Professora doutora do curso de pedagogia e da pós-graduação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Maria Márcia Sigrist Malavasi, o “aproveitamento” das crianças pós-ensino remoto depende de como os pais conduziram o tempo das crianças. Isso não significa, no entanto, ter “transformado a sala da casa em uma sala de aula”.

“Não se trata disso. Há uma outra forma de desenvolvimento cognitivo na criança que é muito importante para prepará-la para a sala de aula, que é a leitura com ela de livros que tenha interesse, jogos, o jogral, teatro, a dança, música. Há uma série de atividades que os pais, se fizeram com as crianças, podem dar a elas uma série de instrumentos para que estejam prontas quando voltarem a escola”, ponderou Maria.

A especialista também reforça a necessidade dos professores entenderem o estágio de cada estudante. “E tentar levar a todas elas a possibilidade de desenvolvimento. Isso vai depender de cada profissional, de cada sala de aula, de cada grupo. Portanto, não dá para nós generalizarmos”, explicou.

Segundo a professora de educação infantil e membro do Conselho Municipal de Educação de Americana, Miriam Kelly Maschietto, a mudança foi abrupta para os estudantes, que tiveram que se adaptar.

“Acredito numa retomada gradual, lenta, para que haja o aproveitamento efetivo. Vai levar tempo e não vejo isso senso sanado em dois ou três meses, e nem com aquela sobrecarga de não termos parada, de colocarmos aulas ininterruptas até dezembro. Isso vai estafar e não vai render”, afirmou Miriam.

Números da região
A medida atinge mais de 13,3 milhões de alunos em todo o Estado. Nas cinco cidades da RPT (Região do Polo Têxtil), são mais de 80 mil alunos na rede pública e 77 mil na rede estadual.

O último dado atualizado sobre as escolas particulares de Americana, de 2018, apontava 8 mil estudantes. Em Sumaré, são ao menos 6.500, segundo a prefeitura. O LIBERAL não conseguiu acesso aos dados em Hortolândia, Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste.

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