De 14 casos de sarampo na RPT no ano, paciente havia tomado vacina em oito

Especialista destacou a importância da segunda dose para ampliar a proteção; com apenas uma, taxa de falha pode ser de 15% a 20%


Foto: Agência Brasil
Infectologista da Unesp explicou que é possível que pessoas vacinadas contraiam a doença

A RPT (Região do Polo Têxtil) registrou 14 casos de sarampo esse ano. Desses, oito pacientes já haviam se vacinado. Especialista ouvido pela reportagem destacou a importância de receber a segunda dose para aumentar a proteção contra a doença. Nenhum dos pacientes da região teve complicações.

A cidade com mais casos na RPT é Sumaré – são seis confirmados, com idades entre um e 12 anos. Desses, cinco haviam se vacinado. A prefeitura foi questionada quantas doses cada uma das crianças recebeu, mas respondeu que só conseguiria levantar essa informação durante esta sexta-feira.

Em Hortolândia, são quatro casos confirmados. Uma criança de seis anos havia recebido três doses e uma criança de dois anos estava vacinada com duas doses.

Há ainda um homem de 26 anos que havia se vacinado dias antes de apresentar os sintomas, levantando a suspeita na Secretaria de Saúde de que seja um caso de sarampo em decorrência da dose.

Contudo, essa hipótese não pôde ser comprovada, segundo a prefeitura. Ele também teve contato com uma pessoa infectada. O quarto paciente na cidade é uma criança de 10 meses que não havia recebido nenhuma dose.

O professor Carlos Magno Fortaleza, infectologista da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Botucatu, explicou que é possível que pessoas vacinadas contraiam sarampo. Contudo, essa chance cai quando o indivíduo tomou as duas doses indicadas.

Essa recomendação passou a valer no País a partir de 2000, mas boa parte da população não retornou aos postos para tomar a segunda dose. Fortaleza apontou que a taxa de falha da imunização varia entre 15% e 20% quando há apenas uma vacina. A efetividade é de 95% quando as duas doses são aplicadas.

“Mesmo quem recebe duas doses é possível contrair, embora bastante incomum. O que é mais razoável dizer é que se não houvesse pessoas vacinadas, o número de casos seria certamente maior”, indicou o infectologista.

RECENTE. A notificação mais recente da doença na região foi confirmada nesta quarta-feira pela Prefeitura de Americana. O paciente é um homem de 47 anos, morador do Parque Novo Mundo. Ele procurou o Hospital Unimed no dia 10 de agosto apresentando os sintomas. Ele não precisou ser internado e passa bem, de acordo com a Vigilância Epidemiológica.

O primeiro caso na cidade foi de uma mulher de 50 anos do Morada do Sol, em julho. Nenhum desses pacientes tinham registro de receber alguma dose da vacina.

Há ainda outros dois casos em Santa Bárbara d’Oeste – um homem de 57 anos e uma mulher de 69 anos. A administração não informou se eles tinham recebido alguma dose do imunizante.

O QUE CAUSA O SARAMPO?

  • A transmissão do vírus ocorre de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O sarampo é tão contagioso que uma pessoa infectada pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.
  • A transmissão pode ocorrer entre 4 dias antes e 4 dias após o aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo.

  • Em torno de 3 a 5 dias, podem aparecer outros sinais e sintomas, como manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade.

Nova Odessa e Hortolândia aplicaram 1.916 ‘doses zero’

Diante do avanço de casos de sarampo no país, o Ministério da Saúde recomendou a aplicação da “dose zero” da vacina. Crianças a partir dos seis meses devem receber o imunizante, que não substitui as duas doses do calendário normal – aos 12 e aos 15 meses de vida.
Na região, Nova Odessa e Hortolândia aplicaram, respectivamente, 1.100 e 816 doses zero, totalizando 1.916. Os demais municípios da região não informaram quantas vacinas aplicaram em crianças menores de um ano.
Santa Bárbara d’Oeste observou um aumento na procura pelas doses em agosto. Foram aplicadas 1.816 vacinas no mês passado, ante 733 em julho, 379 em junho e 477 em maio.
No Estado de São Paulo, há 4.299 casos confirmados da doença, que havia sido erradicada do País mas voltou a circular.
Além das crianças a partir dos seis meses, também devem procurar postos de saúde os adultos com menos de 30 anos que não tomaram as duas vacinas. Essa também é a recomendação para as pessoas que perderam a carteira de vacinação ou não sabem quantas doses receberam, independentemente da idade. m.z.

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