Contratos da CDHU têm 26% de inadimplência na região

Na tentativa de minimizar os índices de atraso em pagamentos, foi lançada a campanha “CDHU em Dia” em todo o Estado


A cada quatro contratos formalizados pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), um deles está em situação de atraso na RPT (Região do Polo Têxtil). O número alto pode ser explicado pela crise econômica vivida no País, de acordo com especialista consultado pelo LIBERAL.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
 Conjunto Mário Covas, em Americana, um dos empreendimentos viabilizados pela CDHU na Região do Polo Têxtil

O maior índice de inadimplência da região é registrado em Hortolândia. De 339 contratos ativos até maio deste ano, 134 estão com o pagamento de parcelas atrasadas (39,5%), segundo dados da companhia. Na sequência, vem Americana, com 27,3% em situação irregular, Sumaré (25,9%), Santa Bárbara d’Oeste (23,2%) e Nova Odessa (23%).

A CDHU é uma empresa ligada ao governo do Estado que constrói e financia moradias populares voltadas a pessoas de baixa renda.

Pelo perfil dos compradores, a taxa de inadimplência é reflexo da atual situação econômica do País, de acordo com o economista Cândido Ferreira, professor da PUC-Campinas.

“A inadimplência está bastante elevada. A crise econômica, o desemprego, a queda do salário, o aumento de preços, tudo isso leva a essa situação de inadimplência. Essas pessoas simplesmente não tem condições de arcar com o pagamento dessas parcelas do financiamento” disse ao LIBERAL.

Na tentativa de minimizar os índices de inadimplência, foi lançada neste mês a campanha “CDHU em Dia”, que oferece facilidades e condições especiais para renegociação de débitos do financiamento habitacional – ela é destinada aos mutuários com mais de duas prestações em atraso.

Dentre as condições ofertadas estão a isenção de juro e mora para quem quitar integralmente a dívida, isenção de entrada para quem deve até 11 prestações e ainda não fez o acordo anteriormente, pagamento de entrada no valor de apenas uma parcela para quem já tem acordo anterior, e descontos de 5% a 10% do valor total do débito para aqueles com mais de 12 prestações em atraso.

Ferreira acredita que as condições apresentadas até possam atingir alguns mutuários, embora a grande maioria não consiga se comprometer com um parcelamento a longo prazo pelas dificuldades econômicas enfrentadas pelo País, diz ele.

“É importante que a CDHU estudasse as condições de cada família pra ver que compromisso ela poderia assumir. O caminho deve ser no sentido de ampliar os subssidios para a parcela mais pobre da população. A moradia é um direito básico do cidadão”, avaliou o economista.

Para os interessados em negociar a dívida, o contato deve ser feito através do telefone 0800-000-2348, pelo site da companhia ou no escritório regional da CDHU em Campinas, na Avenida Professora Ana Maria Silvestre Adade, 449, Parque das Universidades. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.

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