Consórcio mapeia demanda de água de reuso na região

Objetivo é sensibilizar empresas para a importância de uma alternativa para o sistema de abastecimento


O Consórcio PCJ (Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) vem trabalhando para mapear a demanda de água de reuso na região, sensibilizando empresas quanto à importância da sua utilização como alternativa para o sistema de abastecimento.

Ela é resultado do esgoto doméstico tratado e embora seja possível graças à tecnologia, ainda é pouco conhecida e enfrenta resistência. “Conscientizar sobre os benefícios da água de reuso está sendo nosso principal desafio”, diz o coordenador de projetos do consórcio, José Cesar Saad.

Alguns municípios estão investindo na área. A Sanasa (Sistema de Abastecimento de Água de Campinas) foi a pioneira na RMC (Região Metropolitana de Campinas) ao criar a Epar (Estação Produtora de Água de Reuso). A água é vendida e entregue em caminhões-pipa para lavagem de logradouros, desobstrução de redes de esgoto e irrigação paisagística.

Foto: Marcos Lodi / Divulgação
Sanasa, em Campinas, criou a Estação Produtora de Água de Reuso

Indaiatuba também considera a alternativa e vem construindo uma estação piloto no distrito industrial do município. Desde novembro de 2018, quando foi sugerida a inclusão do tema no plano de ação do consórcio, o órgão vem trabalhando para mapear a demanda na região e conscientizar as empresas quanto à nova alternativa.

Segundo Saad, o sistema será fundamental para garantir o abastecimento de água nas bacias PCJ. Segundo ele, a disponibilidade hídrica da região – 900 metros cúbicos ao ano por habitante – está abaixo do limite recomendado pela ONU (Organização das Nações Unidas), que considera críticas as bacias com disponibilidade inferior a 1,5 mil metros cúbicos.

“Se nada for feito agora, num período entre 15 e 20 anos teremos escassez de água e crise de abastecimento séria na região”, diz Saad.

Segundo ele, o reuso é fundamental para ampliar a disponibilidade de água das bacias. O coordenador informa que as tecnologias aplicadas no tratamento de esgoto garantem 99% de pureza na água, mas o reuso não é regulamentado no país para fins domésticos.

Sua utilização pelas indústrias é a que está mais próxima da realidade. “Ela poderia ser usada, por exemplo, para abastecer caldeiras. A água de reuso só não pode ser utilizada para incorporação nos produtos”, ressalta Saad.

A adesão das indústrias ao novo sistema, no entanto, exige investimentos. A água de reuso, por exemplo, não pode ser lançada na rede de abastecimento, o que exige um sistema próprio. “Existem as dificuldades iniciais para implantação, mas à medida que aumenta a adesão, os custos reduzem”, completa o coordenador de projetos do consórcio.

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