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Covid-19

Comitê de Contingência calcula que paralisação salvou 40 mil vidas no Estado de SP

Na sexta-feira, o governador João Doria prorrogou a quarentena até o dia 31 de maio em todo o Estado, após apontar aumento dos casos de Covid-19

Por Marina Zanaki

09 Maio 2020 às 07:55 • Última atualização 09 Maio 2020 às 07:58

O Comitê de Contingência do Coronavírus do Governo do Estado de São Paulo acredita que a quarentena tenha evitado 40 mil mortes pelo novo coronavírus (Covid-19) em todo o território paulista. Até o momento, 3.416 pessoas morreram em decorrência da doença – na RPT (Região do Polo Têxtil) foram 19 vítimas fatais.

Em abril, o número de ocorrências no interior e litoral paulista cresceu 3.300%. Com a disparada de casos, a taxa mínima de isolamento passou de 50% para 55%.

Governador João Doria (PSDB) e sua equipe durante coletiva nesta sexta-feira, onde foi anunciada a prorrogação – Foto: Governo do Estado de São Paulo

“Estamos atravessando o pior momento dessa pandemia. Só não reconhece aqueles que estão cegos pelo ódio ou pela ambição pessoal. Autorizar o relaxamento agora seria colocar em risco milhares de vidas, o sistema de saúde e a recuperação da economia”, declarou o governador João Doria (PSDB) nesta sexta-feira (8).

Doria prorrogou a quarentena até o dia 31 de maio em todo o Estado. Ele apontou que os casos aumentaram “dramaticamente” e que qualquer relaxamento neste momento colocaria milhares de vidas em risco.

“Nenhum país do mundo conseguiu relaxar as medidas com a curva de contaminação em alta. Infelizmente, nas últimas semanas houve desrespeito [ao isolamento] em São Paulo e em outras partes do País. O número de casos aumentou dramaticamente”, afirmou.

RETOMADA
O Comitê de Contingência do Coronavírus apontou os dois critérios que serão usados para definir a flexibilização da quarentena. Os casos devem ter redução consistente por 14 dias e a taxa de ocupação de leitos deve ser de 60%.

“A combinação desses dois índices permitirá o relaxamento e saída dessas medidas. É importante frisar que os dois dependem da taxa de isolamento. Quanto maior, mais rapidamente atingiremos esses dois índices”, alertou o diretor do Butantan e atual coordenador do Comitê, Dimas Covas.

Americana tem 56 casos positivos e quatro mortes pela doença. Há cinco moradores da cidade internados com suspeita para a Covid-19 – dois estão na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), um está leito comum e de dois não há informação pois estão fora do município.

Infectologista do Hospital das Clínicas da USP, Esper Kallas alertou que o atual cenário hospitalar é equivalente a olhar para um “retrovisor” da situação epidemiológica de duas a três semanas atrás.

“Quando vê em sua região um número de casos muito baixo, se tem uma sensação de segurança. Mas quando a onda vem, é para ficar por um tempo prolongado. As medidas tomadas hoje vão refletir em números que vão mostrar pressão no sistema de saúde semanas depois”, finalizou o infectologista.

Flexibilização será por Conselho Municipalista

O governador João Doria (PSDB) anunciou a criação do Conselho Municipalista, que vai reunir prefeitos das 16 regiões administrativas do Estado. A avaliação dos critérios para a flexibilização da quarentena será regionalizada por meio do Conselho.

Secretário de Desenvolvimento Regional e membro do Conselho, Marco Vinholi disse ao LIBERAL que os dois critérios para a reabertura – 14 dias com declínio de casos e ocupação de leitos em 60% – serão avaliados de forma heterogênea, por região.

“Por isso o Conselho Municipalista tem um representante de cada região. A ideia é que esses municípios possam se reunir, dialogar na própria região, e esses prefeitos representantes tragam os apontamentos para que a gente possa pactuar ações com o governo do Estado, tanto de enfrentamento quanto de retomada gradual”, explicou Vinholi.

A criação do grupo ocorre após tensões entre prefeitos de várias cidades e o governador. O prefeito Jonas Donizette (PSB), de Campinas, disse que Doria precisava ter “empatia” com as cidades e permitir a flexibilização do isolamento.

O prefeito campineiro esteve nesta sexta na capital paulista representando a região administrativa de Campinas, da qual Americana faz parte.

“Eu não vou discordar da decisão do governo do Estado de São Paulo porque me foi apresentado por um comitê de 15 médicos do Centro de Contingência que o risco no interior está sendo muito grande”, declarou o prefeito, por nota.

Além dos prefeitos, farão parte do Conselho os secretários de Saúde, Desenvolvimento Regional, Desenvolvimento Econômico, Fazenda e Planejamento, além do próprio governador.