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QUARENTENA

Comerciantes do setor gastronômico se adaptam para continuar a servir

Delivery manteve segmento ativo, mas não impediu mudanças e até mesmo o fechamento de restaurantes

Por André Rossi

02 ago 2020 às 08:43

A possibilidade de funcionar por delivery desde o início da quarentena não foi o bastante para garantir a saúde financeira do setor gastronômico durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Em Americana, restaurantes foram fechados por conta da queda na arrecadação, trabalhadores perderam seus empregos e empreendedores que acabaram de chegar ao segmento lutam para se adaptar ao momento totalmente adverso.

O LIBERAL reuniu histórias de comerciantes da cidade que persistem e tentam se reinventar na área.

Marlon trocou gelateria por hamburgueria – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Especializada em gelatos, a Delizie Gelateria e Café foi um dos estabelecimentos que não sobreviveu à pandemia. Em funcionamento desde 2018 na Rua Bolívia, no Jardim Girassol, seu modelo de negócio era baseado na experiência no local de consumo, o que está proibido pelo risco de proliferação do vírus.

De acordo com um dos proprietários, Marlon Oliveira, 38, houve uma tentativa de adaptar o produto para entrega. O resultado, no entanto, não foi satisfatório para justificar a manutenção do espaço.

“Fomos atrás de delivery, fizemos promoções e trabalhamos duas semanas para testar. Como já tínhamos clientes, alguns aderiram. Tivemos vendas, mas não significativas para manter todos os custos de operação. Colocamos na balança e vimos que íamos trabalhar para trocar moeda”, contou Marlon.

A Delizie fechou as portas no início de maio. Além de ser proprietário do local com seu cunhado, Marlon também atuava como fotógrafo, especialmente no setor de eventos, que foi paralisado logo no início da quarentena.

A alternativa para manter seus rendimentos foi investir em um novo negócio gastronômico. Em parceria com o amigo Alcino Souza Junior, que vendia espetinhos, eles abriram em junho a hamburgueria O Artesanal.

A especialidade da casa é o blend de pernil com panceta. O balanço do primeiro mês de operações foi animador. “Por eu ser novo no mercado, a expectativa até está sendo legal. Está sobrando um dinheirinho, então acredito que seja uma ocupação e ao mesmo tempo uma renda para não ficar totalmente parado nesse período”, explicou Marlon.

runo queria inaugurar restaurante em março, mas não conseguiu – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Outro novato no setor de hamburguerias é Bruno Lucas Cunha, 30. Ele é proprietário da recém-inaugurada Hasta la Vegan, Burger. Como o próprio nome sugere, a casa é especializada em lanches veganos.

Bruno vendeu a imobiliária que tinha em Sumaré e decidiu mudar de área. Vegano há 15 anos e apaixonado por hambúrgueres, ele já tinha a vontade de abrir de uma restaurante especializado. Através de uma parceria com os pais, investiu no negócio.

O salão na Avenida Campos Sales, no Jardim Girassol, foi alugado em outubro do ano passado. A ideia era inaugurar em março deste ano, mas a pandemia mudou os planos. A inevitável decisão de funcionar apenas como delivery foi tomada em maio.

“A gente não sabia como funcionava. Você vai, compra insumo, não vende, e aí fica com mais dívidas. Chegou um momento em que ficou insustentável ficar pagando aluguel e não funcionar. Aí decidimos abrir e está dando certo. Não está se pagando ainda, mas a gente consegue ver o crescimento. Todo dia tem um cliente novo”, celebrou Bruno.

O cardápio foi idealizado por ele, que também é o responsável pela cozinha. Apesar do Hasta la Vegan, Burger estar em aplicativos de entrega, Bruno diz que o foco de suas vendas é pelo WhatsApp, onde consegue ter um feedback mais preciso.

O investimento para reformar o salão foi alto. Por enquanto, ninguém pode usufruir do espaço, mas ele mantém a esperança de que dias melhores virão. “Se a gente soubesse que ia trabalhar do jeito que está trabalhando, não precisava ter gastado o que gastou para reformar tudo. A gente queria montar um espaço legal, para que as pessoas se sentissem bem. Espero que quando passar esse momento, a gente possa fazer tudo que estava almejando”, disse Bruno.

O delivery manteve o segmento gastronômico ativo, mas também implicou na perda do cerne das atividades de muitos estabelecimentos. É o caso do restaurante Arte e Sabor, da Avenida Antonio Lobo, que é especializado em self service.

Liliane se assustou principalmente com os primeiros 15 dias da pandemia – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

A proprietária Liliane Garcia Bento, 34, já oferecia a opção de entrega antes da pandemia. Entretanto, no início da quarentena, as vendas caíram pela metade e houve temor de que os clientes parassem de procurar o restaurante.

“No início da pandemia foi bem difícil, ficou bem assustador. Os clientes praticamente pararam de consumir. É aquela coisa. Você fica até com medo de comprar de algum lugar, não sabe como é o manuseio do alimento. Tudo isso contou muito nos primeiros 15 dias”, lembrou Liliane.

Agora acostumada ao novo formato, a empresária se preocupa em como vai adaptar seu espaço quando o consumo no local for retomado. A reabertura de bares e restaurantes é autorizada com restrições na fase 3 (amarela) do Plano São Paulo.

“Eu não sei o que esperar da volta. É bem difícil. A gente está tentando se organizar, planejando, mas vai ficar bem reduzido [o espaço]. Não posso deixar de atender aqueles clientes que vem todos os dias, de longa data”, afirmou Liliane.

Americana e região estão na fase 2 (vermelha). A próxima reclassificação será realizada pelo Governo do Estado na sexta-feira.

Podcast Além da Capa
Entre tantos anúncios aguardados com ansiedade em relação à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a apresentação de uma vacina eficaz e produzida em larga escala, com capacidade de imunização de toda a população, seria o equivalente a um trending topic unânime ao redor do globo. O episódio dessa semana atualiza o panorama local em relação à espera pelo imunizante.

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