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Três meses de pandemia

Com ministério sem titular, secretários de Saúde da região tentam ficar alheios a embate político

Ministério da Saúde já assistiu à queda de dois gestores, e os palácios do Planalto e dos Bandeirantes não falam a mesma língua

Por Bruno Moreira

15 jun 2020 às 07:41 • Última atualização 15 jun 2020 às 17:40

Com o Ministério da Saúde sem titular desde 17 de abril, com a saída de dois ministros do cargo desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) – Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich – e a ferida aberta na relação política entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governo João Doria (PSDB), os secretários municipais de Saúde tentam se manter alheios ao conflito.

Teich e Mandetta: ambos deixaram o Ministério da Saúde – Foto: Marcos Corrêa/PR_17.04.2020

Sem tempo ruim para o recebimento de novos recursos em tempos sem pandemia, a expectativa agora é redobrada diante do impacto financeiro da crise no caixa das prefeituras.

Em Americana, o secretário Gleberson Miano diz que é um “apartidário” em meio à rixa entre as esferas superiores: “deixo que tratem entre eles lá, é briga de cachorro grande”.

Antes, porém, ele também entende que, no início da pandemia, o quadro que o munícipio apresentava deveria ter sido considerado de maneira particular para definição da quarentena. “A gente tinha uma visão mais flexível, de analisar caso a caso”, explica.

“No início, entendia-se que o município teria autonomia para decidir de acordo com a sua realidade. Eu acho que esse era o melhor modelo”, completa, ao ponderar o impacto econômico do isolamento social.

Decretada pelo governo paulista, a quarentena impediu o funcionamento de comércios e serviços não essenciais entre 24 de março e 31 de maio em todo o Estado.

Técnico

“Filtrar” é o verbo aplicado em Nova Odessa, segundo o secretário Vanderlei Cocato, para atravessar o conflito político diante do tema e preservar o que se trata de conteúdo técnico.

Notas do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial da Saúde) serviram para o balizamento de ações, assim como o plano de combate elaborado pelo Governo do Estado.

“Não vou negar que não nos preocupou esse embate, mas a gente foca na parte técnica do que tem sido recebido dos órgãos”, explica Cocato. Ele cita, em especial, o contato com a DRS (Diretoria Regional de Saúde) 7, que abrange a região de Campinas. “Nosso maior apoio para execução dos nossos trabalhos é do Estado de São Paulo”.

A exemplo de Gleberson, a secretária de Santa Bárbara, Lucimeire Rocha, também observa que as “especificidades” de cada município devem ser respeitadas.

Ela reforça a posição de isolamento do município do objeto político da crise, mas argumenta que as mudanças em sequência no ministério “são muito complicadas”.

“Cada gestor à frente de uma pasta tem uma forma de pensar e uma equipe com uma diretriz. Essas trocas acabam atravancando muito algumas ações, lógico que prejudicam”.

O argumento de Lucimeire, ela explica, está baseado no contexto macro da relação do município com o governo federal, para além do combate à Covid-19.

Isso, porque “as pessoas não deixaram de enfartar, de ter câncer, de ter AVC, de sofrer acidente, não deixaram de ter outras doenças e de precisarem da saúde para outras razões além da Covid”.

Dessa forma, as mudanças de integrantes da pasta em Brasília também exigem a adaptação de quem está na outra ponta da linha, nos municípios. “Não é a forma mais adequada no meio de uma pandemia a gente ter todos esses processos”.

Cidades terão R$ 112,5 mi do governo federal

As cidades da RPT (Região do Polo Têxtil) terão R$ 112,5 milhões destinados pelo governo federal até setembro como parte do Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus.

O montante será dividido em quatro parcelas, sendo que a primeira delas foi liberada pelo STN (Secretaria do Tesouro Nacional) na terça-feira (9).

O crédito extraordinário prevê ajuda de R$ 60,1 bilhões aos Estados e municípios em forma de envio direto de recursos e suspensão do pagamento de dívidas.

As três próximas parcelas estão previstas para 13 de julho, 12 de agosto e 11 de setembro. Ao todo, a maior fatia da região ficará com Sumaré, que tem previsão de receber R$ 31,5 milhões. Em Americana, serão R$ 26,7 milhões até o fim do crédito.

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