Com futuro incerto, dom Vilson não tem ‘nada a declarar’

Boato de que o sacerdote já tinha pedido renúncia ao Vaticano movimentou os bastidores da igreja católica na região


O futuro do bispo dom Vilson Dias de Oliveira na Diocese de Limeira é incerto. Na manhã desta quarta-feira um boato de que o sacerdote já tinha pedido a renúncia e que aguardava resposta do papa Francisco movimentou os bastidores da igreja católica na região. Ao LIBERAL, no final da noite, ele disse apenas que não tinha “nada a declarar”.

Nem mesmo a assessoria de imprensa da própria diocese conseguiu obter uma resposta do bispo para saber se ele enviou ou não uma carta de renúncia ao Vaticano. Por hora, a versão oficial é de que ele segue no posto.

Dom Vilson é investigado pela polícia por supostamente interferir em apuração de casos de abusos sexuais e tentativa de extorsão. Um inquérito foi aberto em 23 de janeiro para investigar ele e o Padre Pedro Leandro Ricardo, afastado da Basílica de Americana.

Em um primeiro momento, a assessoria de imprensa da Diocese de Limeira negou a informação de renúncia e disse que não havia nada oficial.

Em novo contato durante a tarde, o assessor de imprensa da diocese, Marco Antônio Erbeta, admitiu que dom Vilson não respondeu aos contatos da assessoria. Estão agendadas reuniões entre o bispo e membros da diocese para hoje, mas o teor não foi divulgado.

“Ele não se manifestou com relação a isso [carta de renúncia]. Nós indagamos, mas ele não se manifestou. Temos reuniões marcadas para amanhã [hoje], mas até o momento as coisas continuam normalmente”, afirmou Erbeta.

Não foi só a assessoria da diocese que foi deixada “no escuro” pelo bispo. Procurado pelo LIBERAL, o advogado dele disse “não saber” se seu cliente havia mesmo pedido a renúncia. A responsável pela comunicação da Basílica também afirmou desconhecer o pedido.

Dois repórteres do LIBERAL entraram em contato com dom Vilson ao longo desta quarta. Um dos questionamentos enviado por WhatsApp foi respondido pelo bispo pela manhã com uma imagem, que tinha os dizeres: “Que Deus dê vida longa a todos os nossos inimigos para que eles possam um dia aplaudir de pé a nossa vitória”.

Dom Vilson enviou um emoji com o polegar virado para baixo ao ser questionado se a frase era uma resposta ao questionamento do jornal. A reportagem enviou outras mensagens durante à tarde, que foram visualizadas, mas não houve resposta. Já as ligações feitas diretamente no celular do bispo foram rejeitadas sempre no segundo toque.

O sacerdote só respondeu aos questionamentos às 22h31 desta quarta-feira, se limitando a dizer que não falaria sobre o assunto.

Trâmite

O LIBERAL apurou que pedidos de renúncia precisam ser formalizados por meio de uma carta. Entretanto, o documento não precisa ser protocolado diretamente no local de atuação. Ou seja, dom Vilson não precisaria avisar a Diocese de Limeira antecipadamente.

Ao invés disso, a carta deve ser encaminhada para a Nunciatura Apostólica, que fica em Brasília e funciona como uma espécie de embaixada do Vaticano no Brasil. De lá, será encaminhada diretamente para o papa.

Por telefone, o LIBERAL entrou em contato com a Nunciatura Apostólica para saber se eles tinham recebido a suposta carta. A atendente disse apenas que só seria possível confirmar algo do gênero quando saísse a publicação. Ou seja, um cenário onde o pedido de fato existiu e foi aceito.

Prorrogado

Ontem, a Justiça de Americana aceitou o pedido de prorrogação por 30 dias solicitado na semana passada pela Polícia Civil para concluir o inquérito. A investigação é conduzida pela Delegacia Seccional de Piracicaba.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!