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Estiagem

Com chuva abaixo do esperado, Consórcio PCJ alerta para risco de desabastecimento

Por terem reservatórios próprios, Santa Bárbara e Nova Odessa devem ser as cidades menos atingidas pela estiagem

Por Heitor Carvalho

21 abr 2021 às 10:35

O Consórcio PCJ (Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) emitiu um alerta sobre o risco de falta de água nos 73 municípios que são abastecidos pelos mananciais dessas bacias hidrográficas. As cidades da RPT (Região do Polo Têxtil), no entanto, devem ser menos atingidas.

Segundo dados do Consórcio PCJ, em 2017 choveu 14% abaixo do esperado, enquanto que em 2018 choveu 20% menos que o estimado. A tendência se seguiu em 2019 e 2020, quando os níveis de precipitação foram 12% e 23% menores que o esperado, respectivamente.

“Nós estamos vindo de quatro anos com chuvas abaixo do esperado. E fechando o primeiro trimestre de 2021 com 20% menos precipitações que o estimado, isso acende o sinal de alerta”, conclui.

Dezoito dos municípios que compõem o consórcio, que juntos somam cerca de 3,8 milhões de habitantes, estão localizados na calha dos rios que recebem as vazões do Sistema Cantareira e serão menos impactados pela estiagem. Entre eles estão as cidades de Americana, Campinas, Hortolândia e Sumaré.

“Quando você tem um período de redução de chuvas, são liberadas as vazões do Cantareira que garantem o abastecimento nas captações dos municípios, principalmente os que estão na bacia do Rio Piracicaba”, afirmou Flávio Forti Stenico, engenheiro e assessor técnico do Consórcio PCJ.

Represa de Cillos é uma das que garantem o abastecimento de Santa Bárbara – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Os casos de Santa Bárbara d’Oeste e Nova Odessa são mais confortáveis, já que ambos os municípios captam água de mananciais municipais. “O município de Santa Bárbara tende a sofrer muito menos. Nas últimas estiagens já foi assim, isso porque a cidade tem um reservatório próprio, o que é exatamente o que nós recomendamos”, disse.

Entretanto, isso não significa que as cidades da região não terão nenhum impacto por conta da seca. “Toda a nossa bacia está sujeita a ser atingida por essa estiagem, porque a nossa região tem uma baixa disponibilidade hídrica histórica, então todos os municípios podem ser afetados”, alertou Flávio.

Falta histórica de chuvas

Nesse ano, de acordo com o Consórcio, os meses de janeiro, fevereiro e março, considerados de maior incidência de chuvas, registraram precipitações na ordem de 31,5%, 10,5% e 13,5% menores do que o esperado para o período, respectivamente.

Portanto, as chuvas do primeiro trimestre de 2021 ficaram 20% abaixo da média histórica, fato que prejudicou a recuperação do principal manancial de abastecimento da região, o Sistema Cantareira.

Até a primeira quinzena do mês de abril foram registradas chuvas na ordem de 4,2 mm na região do Cantareira, o que representa apenas 4,8% do esperado para o mês. Nas Bacias PCJ, as chuvas ocorreram na ordem de 8mm, representando somente 11,8% do total de chuvas esperado.

Esses dados influenciam significativamente no comportamento do Sistema Cantareira que está operando com volumes de armazenamento abaixo do recomendado para o período.

O ideal seria terminar o primeiro trimestre de 2021 com o volume de reservação de água próximo a 70% (faixa normal), porém, o Sistema registra, atualmente, 52% de volume (faixa de atenção). No mesmo período do ano passado, o Cantareira operava com 63,7% de seu volume útil.

A vazão média de afluência ao Cantareira também está abaixo do normal, a vazão média registrada em abril, até o dia 17, representava 30% da média histórica para o mês. No último trimestre, a vazão média registrada é a menor dos últimos 20 anos, excetuando-se os anos de 2014 e 2015, quando foi registrada a maior estiagem desde 1930.

Em comunicado, o Consórcio PCJ afirmou que caso cenário permaneça, “não atingiremos em 2021 os volumes mínimos necessários de armazenamento de água para garantir maior segurança hídrica e “existem grandes chances da região das Bacias PCJ passar por forte estresse hídrico já em 2021, com reflexos também para o próximo ano”.

O risco se torna ainda maior aos 58 municípios não atendidos pelo Sistema Cantareira e, portanto, sem uma reserva extra para suprir suas necessidades durante a estiagem que se aproxima.

Orientações

Diante da situação, o Consórcio PCJ alertou os municípios da região para iniciar campanhas de conscientização para incentivar o uso racional e sustentável da água, além da conservação dos mananciais e da construção e manutenção dos reservatórios de abastecimento de bairros.

A entidade também orienta que sejam complementados os pontos críticos com a adoção de reservatórios pré-fabricados e que sejam feitas campanhas de estimulação de construções de cisternas, urbanas e rurais, para armazenamento de água de chuva.

O Consórcio PCJ, fundado em 1989, é uma associação civil de direito privado, que atua como uma agência de fomento, planejamento e sensibilização, com o objetivo de recuperar e preservar os mananciais, além de discutir a implementação de políticas públicas voltadas à gestão da água.

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