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SAÚDE

Com alta demanda e sem insumos, antibióticos somem das farmácias em Americana

LIBERAL procurou pelos medicamentos amoxicilina, azitromicina, novamox e lanico em quatro redes e não os encontrou em nenhuma nesta segunda-feira

Por Ana Carolina Leal

24 de maio de 2022, às 06h25 • Última atualização em 24 de maio de 2022, às 10h33

Antibióticos usados para combater doenças respiratórias em crianças e adultos estão em falta em pelo menos quatro redes de farmácias em Americana. O LIBERAL procurou por amoxicilina, azitromicina, novamox e lanico e nenhum deles foi encontrado.

A escassez dos medicamentos se deve à alta demanda por estes remédios em virtude do aumento dos casos de Covid-19 no começo do ano e de outras síndromes respiratórias. Para se ter uma ideia, o Hospital Unimed Americana, por exemplo, realizou, em abril, 4.825 atendimentos de adultos e crianças com síndromes gripais e outros 1.401 pacientes com suspeita de dengue.

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O LIBERAL questionou a prefeitura sobre o número de atendimentos realizados no Hospital Municipal Dr Waldemar Tebaldi, bem como se estaria faltando medicamentos na farmácia popular, mas a assessoria informou que essas informações só seriam passadas nesta terça-feira.

Além do aumento da procura por antibióticos, fabricantes alegam falta de insumo para produção. Segundo a Abrafarma (Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias), quase 95% dos medicamentos no país dependem de matéria-prima que vem principalmente da China, que teve as exportações afetadas porque está mais uma vez em lockdown para conter uma nova onda de casos de Covid.

“Além da maior dificuldade para a chegada de insumos ao país, tivemos uma espécie de efeito dominó, pois outros produtos que estavam faltando exigiram mais dedicação da indústria, acarretando a redução na fabricação de outros produtos”, afirma Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma.

Em uma farmácia na Rua Fernando de Camargo, no Centro, o atendente disse que a dificuldade para encontrar antibióticos vem desde o começo do ano, mas eles “desapareceram” mesmo das prateleiras há cerca de um mês.

Em uma outra, na Avenida Paschoal Ardito, além dos antibióticos, o atendente disse que está faltando xaropes e outros remédios usados em tratamentos respiratórios.

Em nota, o Ministério da Saúde afirma que trabalha sem medir esforços para manter a rede de saúde abastecida com todos os medicamentos ofertados pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

A pasta diz ainda que atua, em conjunto com Anvisa, conselhos municipais e estaduais de saúde e representantes das indústrias farmacêuticas, para verificar as causas e articular ações emergenciais para mitigar o desabastecimento dos medicamentos citados.

Ricardo Gurgel, membro do Departamento Científico de Imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), afirma que antes de mais nada é preciso ser bem avaliado a necessidade de antibiótico. “Existe muito uso desnecessário, mais por prevenção do que por complicações”, destaca, acrescentando, porém, que a dificuldade em encontrar esse tipo de medicamento é real.

“Os principais antibióticos estão em falta mesmo. Mas acredito que ainda tem várias alternativas que podem ser usadas, mas só o médico pediatra é que pode indica-las”.

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