Americana registra três casos de dengue do tipo 2 em 2019

Vigilância Epidemiológica do município não tem informações sobre a circulação do sorotipo 2 em anos anteriores; no ano de 2018 foi registrado o tipo 1


Americana registrou este ano três casos de dengue do sorotipo 2. A preocupação de especialistas é que esse tipo da doença não circulava há dez anos no Estado de São Paulo, e, portanto, poucas pessoas foram expostas a ele para desenvolver imunidade.

Cada vez que uma pessoa se infecta com um dos sorotipos se torna imune a ele. Por outro lado, quem já se infectou com alguma das outras três variações do vírus da dengue e se contaminar novamente possui mais chances de enfrentar a forma mais grave da doença.

Foto: Governo de São Paulo / Divulgação
Mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue

Todos os três moradores de Americana que se contaminaram com o tipo 2 não ficaram internados. Um dos pacientes foi um homem de 56 anos, morador do Jardim América 2. Ele apresentou os primeiros sintomas no dia 7 de janeiro.

Uma adolescente de 17 anos, moradora da Vila Santa Maria, também se contaminou com a doença, com início dos sintomas em 23 de janeiro. Um morador do Jardim Paulistano, de 58 anos, começou a apresentar os sintomas no dia 4 de fevereiro. Os exames confirmatórios dos sorotipos foram liberados entre o final de janeiro e início de fevereiro. Não há informações se as contaminações ocorreram dentro do próprio município ou se são importadas.

Para se determinar o sorotipo da doença é necessário que a coleta de amostra de sangue seja feita até o terceiro dia de sintoma. A Vigilância Epidemiológica de Americana não tem informações sobre a circulação do sorotipo 2 em anos anteriores. Em 2018, circulou na cidade a dengue tipo 1.

Foto: Editoria de Arte / O Liberal
Fonte: Ministério da Saúde

Cuidados

O professor Carlos Magno Fortaleza, infectologista da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Botucatu, explicou que há alguns estudos que apontam o tipo 2 como mais severo entre os quatro vírus da dengue.

Contudo, ele ressalvou que essas pesquisas não são conclusivas. O alerta, segundo ele, se refere ao risco da reincidência da doença. “Um estudo muito cuidadoso em Cuba descobriu que um em cada mil casos era grave na primeira infecção. Já na segunda vez, três em cada 100 tinham esse risco”, alertou.

O infectologista explicou que esse tipo da doença começou a ser registrado novamente em 2017, com concentração no oeste do Estado. Para ele, o aparecimento na região já era esperado. “Cidades que tiveram epidemias do tipo 1, como na região de Campinas, precisam dobrar a atenção. Não há motivo para pânico, mas é preciso ampliar os cuidados”, finalizou.

A prevenção ao tipo 2 da dengue consiste, assim como com os demais vírus da doença, no combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti, que se desenvolvem em água parada. Os sintomas são febre alta, dores musculares, nos olhos, dor de cabeça e manchas vermelhas.

Sumaré

Sumaré havia registrado um caso do tipo 2 em 2018. Segundo a prefeitura, o caso foi registrado em julho do ano passado. Até fevereiro, o município havia informado ao LIBERAL que ainda não havia recebido os resultados das sorologias. Campinas confirmou, nesta sexta-feira, o segundo caso de dengue tipo 2 na cidade.

“Os cuidados com a dengue, independentemente do tipo de vírus, têm que ser diários. Cada possível criadouro deve ser eliminado para que a cidade não enfrente uma nova epidemia uma vez que todos os sorotipos são transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti”, disse a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas, Andrea Von Zuben.

Não foi realizada a identificação do sorotipo viral dos casos de dengue registrados em Santa Bárbara d’Oeste, segundo a Secretaria de Saúde.

A Prefeitura de Hortolândia disse que há uma dificuldade em realizar o exame, já que as pessoas normalmente procuram a unidade após o 3º dia de sintoma, período limite para a coleta para a realização do exame. Nova Odessa e Sumaré informaram que não há casos desse sorotipo este ano.

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