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Região

Americana e Santa Bárbara ganham 5,1 mil MEIs na pandemia

Busca por autonomia no trabalho e crise econômica levam ao maior crescimento absoluto na quantidade de microempreendedores individuais dos últimos cinco anos

Por Heitor Carvalho

18 abr 2021 às 14:42 • Última atualização 18 abr 2021 às 14:51

Americana e Santa Bárbara d’Oeste tiveram entre março de 2020 e março deste ano, durante a pandemia da Covid-19, 5,1 mil novos registros de microempreendedores individuais, os chamados MEIs. É o maior aumento absoluto dos últimos cinco anos, segundo dados do Portal do Empreendedor, do governo federal.

Nas duas cidades, o crescimento da modalidade voltou a ser maior de um ano para outro desde 2019, mas teve a maior alta durante o período da crise sanitária. Na região, foram 13.397 novos MEIs registrados entre os meses de março de 2020 e 2021, um aumento de 23% (veja os dados ao lado). No total, a região já tem mais de 72 mil pessoas registradas como MEIs.

Veja o crescimento da modalidade na região – Foto: Editoria de Arte / O Liberal

O MEI foi implementado no Brasil em 2008 para formalizar trabalhadores autônomos, como um micro ou pequeno empresário, desde que fature no máximo R$ 81 mil por ano, não tenha participação em outra empresa e tenha no máximo um empregado contratado.

Em Americana, atividades como as que envolvem alimentação, vestuário, cabeleireiros e barbearias e comércio varejista são as principais exercidas pelos microempreendedores.

Segundo Luís Fernando Gomes de Albuquerque, consultor financeiro e professor de contabilidade da FAM (Faculdade de Americana), apesar de amplificado agora, esse crescimento de MEIs segue uma tendência que já vem sendo registrada há anos no País.

“Já há alguns anos é notado um aumento do conhecido MEI. Inicialmente eram trabalhadores que estavam numa situação informal e viram uma oportunidade de passarem a exercer suas funções de um modo formal. Depois pelo desejo de serem empreendedores”, explica.

“Hoje os profissionais estão buscando cada vez mais sua ‘independência’ de trabalho. A dinâmica do modelo de trabalho está mudando muito. Mas o aumento recente foi pela pandemia, que fechou muitas vagas formais levando este trabalhador a buscar alternativas de sustento”, conclui.

. O motorista de aplicativo Rildo, que aderiu ao MEI no ano passado – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Para Cândido Ferreira Silva Filho, economista e professor da PUC-Campinas, há o risco da precarização do mercado de trabalho quando essa categoria não é usada da maneira como foi estipulado em lei.

“Grande parte desses MEIs não é um cara empreendedor, que está criando um negócio novo no mercado para oferecer. Na verdade, é um prestador de serviços que antes era um funcionário regular que muitas vezes precisou se transformar em um prestador”, afirmou.

“Essa crise, desemprego alto, consumo baixo, comércio fechado, pandemia que se arrasta há mais de um ano, então obviamente a situação das empresas também não está fácil, mas ao mesmo tempo elas precisam do serviço, então o MEI acaba virando uma alternativa”, pondera.

Rildo Cezar Vasselo, de 30 anos, trabalha como motorista de aplicativos desde outubro de 2019 e fez o registro de MEI um ano depois, em outubro do ano passado, após sugestões de amigos e por conta do agravamento da pandemia.

Ele, que mora em Santa Bárbara, disse ter buscado a categoria de microempreendedor por questões diversas, como direitos previdenciários e tributários.

“Eu decidi fazer o MEI por conta de contribuição do INSS, para ter direto à aposentadoria. Através do MEI eu consegui ampliar meu capital, abrir uma conta em banco e ter um cartão de crédito”, comenta.

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