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ECONOMIA

Americana e região exportam US$ 102 milhões a menos no primeiro semestre

Com alta de importações na região, déficit da balança regional aumentou neste ano

Por Ana Carolina Leal

10 de julho de 2024, às 07h00 • Última atualização em 10 de julho de 2024, às 09h01

As exportações realizadas pelos municípios da RPT (Região do Polo Têxtil) caíram US$ 102 milhões no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. O total passou de US$ 605,7 milhões para US$ 503,5 milhões, uma redução de 17%.

Ao mesmo tempo, as importações aumentaram de US$ 1.094 bilhão para US$ 1.191 bilhão, um crescimento de 8,8%. Esse desequilíbrio na balança comercial resultou em um déficit de US$ 533 milhões para a região.

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Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) divulgados na última quinta-feira, dia 4.

Americana viu uma redução significativa nas suas exportações, que são majoritariamente de metais preciosos e pneus. A Alemanha continua sendo o principal destino (44%) desses produtos. Por outro lado, as importações de borracha e fios sintéticos, principalmente dos Estados Unidos (26%) e China (18%), aumentaram, piorando o déficit comercial.

Referência no setor de pneus, Goodyear é uma das principais exportadoras de Americana – Foto: João Carlos Nascimento/O Liberal

Hortolândia registrou a maior importação de máquinas de processamento de dados desde 2014, com a China sendo a principal fornecedora (47%). Embora exporte partes de motores e vagões de locomotivas para o México (18%) e Guiné (15%), o crescimento das importações supera as exportações, contribuindo significativamente para o déficit regional.

Nova Odessa, que exporta principalmente partes de motores para a Argentina (16%), também tem uma dependência grande de importações dessas mesmas partes, vindas da Índia (22%) e China (21%). Esse equilíbrio precário entre exportação e importação não tem sido suficiente para melhorar a balança comercial.

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Santa Bárbara d’Oeste teve uma redução nas exportações de pneus para os Estados Unidos (51%). Simultaneamente, a cidade aumentou suas importações de partes e acessórios de automóveis do Japão (30%), ampliando o déficit.

E Sumaré, que exporta barras de aço para a Argentina (17%), viu suas importações de inseticidas da China (23%) aumentarem.

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Para o economista Hugo Garbe, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a região, historicamente deficitária devido às elevadas importações de Sumaré e Hortolândia, precisa encontrar maneiras de reverter esse cenário. “Desde 2021, havia uma tendência de redução do déficit, mas agora essa trajetória foi interrompida”, afirma.

De acordo com ele, a desvalorização da moeda brasileira pode ter tornado as exportações menos competitivas, ao mesmo tempo que encareceu as importações.

“A demanda externa pode ter sido impactada por condições econômicas desfavoráveis nos principais mercados consumidores dos produtos da região. Além disso, a dependência de insumos importados para a produção local agrava o desequilíbrio comercial”, compartilha.

O economista enfatiza que a região precisa investir em diversificação de mercados de exportação, aumentar a competitividade dos produtos locais e buscar substituir importações por produção nacional.

Segundo Garbe, incentivos à inovação e melhorias na produtividade são essenciais para assegurar a sustentabilidade econômica a longo prazo. “A situação exige uma resposta coordenada das autoridades locais e dos setores produtivos para encontrar soluções que possam reverter essa tendência e garantir um futuro mais equilibrado e próspero para a RPT”.

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