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Saúde

Nova Odessa tem fila de 8 mil pacientes aguardando exames

Número é fruto de uma estimativa preliminar; prefeitura vai contratar terceirizadas e negociar com a Cross para zerar a fila

Por Marina Zanaki

10 fev 2021 às 21:03

A Prefeitura de Nova Odessa identificou uma fila com cerca de 8 mil pedidos de exames não realizados. O tempo de espera entre esses pacientes chega a dois anos, segundo o município. A administração municipal disse que trabalha para realizar um mutirão ainda no primeiro semestre deste ano, para zerar essa espera.

As medidas anunciadas pela prefeitura para zerar a fila são duas – contratação de exames em laboratórios privados e uma “repactuação” da quantidade de exames alocados para o município pela Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde), do Estado.

Cláudio José Schooder, o Leitinho (PSD), e o seccretário de Saúde de Nova Odessa, Nivaldo Rodrigues – Foto: Prefeitura de Nova Odessa / Divulgação

Antes disso, uma comissão técnica fará a análise, reavaliação e reaprovação dos pedidos de exames, classificando-os segundo seu grau de urgência e determinando as prioridades. Os pacientes serão procurados pela equipe técnica da pasta por telefone ao longo das próximas semanas e meses. Essa comissão deve contar com médicos, enfermeiros, advogados e assistentes sociais.

A prefeitura pretende zerar a fila, mas não deu um prazo para quando isso será possível. Contudo, pretende ainda nesse primeiro semestre de 2021 dar andamento aos exames.

“De qualquer forma, os pacientes serão chamados aos poucos, diariamente, para realizar seus exames – sempre dentro da capacidade diária de atendimentos dos futuros fornecedores que serão contratados. Essa convocação será feita gradualmente e deve levar várias semanas, exatamente em função do tamanho da fila – o que vai demandar também um pouco mais de paciência das pessoas”, disse a Secretaria de Saúde.

O volume de 8 mil exames é uma estimativa preliminar da Secretaria de Saúde e ainda está sendo melhor apurado pela equipe, podendo mudar. As maiores filas são para exames de imagem, incluindo raios-x e ultrassom.

“Vamos primeiramente levantar o tamanho exato dessa demanda reprimida, porque ouvimos muitas reclamações da comunidade, de pessoas que dizem estar há mais de dois anos aguardando o agendamento do exame. Mas já percebemos que existe realmente uma demanda muito grande. Queremos atender a nossa população, que está cobrando com razão”, disse o Secretário de Saúde, Nivaldo Rodrigues.

Pandemia e “ineficiência”
Um dos motivos apontados pela Prefeitura de Nova Odessa para o acúmulo de exames foi a pandemia, que suspendeu diversos procedimentos eletivos no ano passado. Por outro lado, a administração municipal aponta para “ineficiência” na gestão anterior.

A secretária-adjunta de Saúde, a enfermeira Sheila de Moares, afirma que detectou que a Prefeitura de Nova Odessa praticamente não utilizou as vagas para exames eletivos em hospitais e clínicas de referência na região disponibilizadas pela própria Cross.

“O resultado é agora teremos que ir até o Departamento Regional de Saúde para conversar com a equipe de lá, expor o problema e tentar repactuar essas vagas, procurando formas de atender à nossa demanda reprimida e também aos casos mais urgentes (mas não de emergência) que continuam entrando na Rede Municipal. São serviços altamente especializados que temos que aproveitar, temos que usar. É algo muito importante para a cidade”, apontou Sheila.

Ex-secretário contesta
O ex-secretário de Saúde de Nova Odessa, Vanderlei Cocato, contestou que as vagas da Cross não teriam sido usadas.

“Não perdemos vaga da Cross, eu cobrava frequentemente, estava presente nas reuniões, Nova Odessa era um dos municípios que mais pegava vagas nos bolsões. Mas eu tinha, por exemplo, uma fila gigantesca de catarata e recebia duas vagas por mês. Hoje deve estar uma fila de 200 pessoas”, disse Cocato.

Em relação aos 8 mil pacientes aguardam exames, ele afirmou que o número é coerente com a demanda da cidade frente às restrições da pandemia. Mensalmente, eram realizados cinco mil exames na rede pública, dos quais mil eram ultrassons.

“Concordo com esse número de 8 mil e só temos esse resultado porque existe a Central de Regulação que nós criamos. Tivemos um ano muito difícil em 2020 com a pandemia, que represou tudo”, afirmou.

Cocato criticou a pretensão de “zerar a fila”. “Nunca tratei de zerar fila porque profissionais mais técnicos falavam que isso não era possível. O médico auditor, por exemplo, falava que não tinha como, porque sempre vai ter demanda”, finalizou.

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