Nova Odessa dribla crise com a ajuda da iniciativa privada

Prefeito relembra início difícil no primeiro mandato e destaca as parcerias como forma de viabilizar obras para a cidade em diferentes áreas


A parceria com a iniciativa privada foi a alternativa encontrada pelo prefeito de Nova Odessa, Benjamin Bill Vieira de Souza (PSDB), para implementar algumas das principais obras do seu mandato. Os novos loteamentos também foram utilizados para conseguir contrapartidas em diversas áreas, como lazer, mobilidade e infraestrutura. Até o final de 2020, quando encerra seu governo, Bill espera deixar Nova Odessa encaminhada para tratar e distribuir água para até 100 mil pessoas, projetando o município para as futuras gerações.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Bill: “Muitos empresários hoje querem poder fazer algo para o poder público”

Durante a inauguração da nova sala de espera do hospital municipal, o senhor destacou a parceria com a iniciativa privada para a execução da obra. Ao longo do seu governo, como foram as conversas com os comerciantes da cidade para costurar acordos como esse?

Passamos por um período de muita dificuldade em 2013, quando fui eleito prefeito. Em 2014 veio aquela crise hídrica e financeira. Aí eu descobri que tinha que achar um novo mecanismo de administração. Não é reinventar o jeito de administrar ou reinventar a roda. Eu estava assumindo o mandato em um momento muito difícil e teria que fazer algo, mas não tinha condições de fazer obras com recurso do município. A prioridade era manter o nosso RH, pagar os colaboradores, renegociar com fornecedores e também a questão da Saúde, que tínhamos um percentual a ser aplicado, e da Educação. Eu precisava manter pelo menos o básico.

Só que para manter o básico eu também não ia ter condições de nenhum tipo de investimento. Com a crise hídrica foi quando eu vi que a iniciativa privada podia ser parceira, sim. Foi quando tiramos mais de 1.100 caminhões de terra (de uma represa) e muitas empresas fizeram parceria com a gente. Nós enchemos os caminhões de terra e eles acabam usando essa terra nos empreendimentos deles.

Daí veio o teatro municipal, com o pessoal da Cia City. Tínhamos um barracão abandonado, só que nós não tínhamos dinheiro para investir. Pedi se eles não “emprestavam” a empresa para fazer esse serviço. Nós fomos prontamente atendidos. Eu achava que ia receber um não e de repente me trouxe um sim, e nós construímos o primeiro teatro municipal em parceria com o privado. Entraram e construíram pra gente uma obra maravilhosa.

Muitos empresários hoje querem poder fazer algo para o poder público. Então começamos em todas as áreas, desde praça pública, avenidas, iluminação, reformas de prédios públicos, como o hospital.

A aprovação de novos loteamentos na cidade chegou a ser questionada por vereadores. Quais obras que estão sendo feitas para garantir o abastecimento d’água para a cidade no futuro?

Nova Odessa tinha um índice de perda d’água muito grande. Não existia um investimento para poder otimizar o gasto com água, não tinha um plano. Quando nós assumimos, as nossas represas estavam praticamente soterradas por anos e anos sem manutenção. Fizemos esse desassoreamento, que foi muito importante porque nós aumentamos o poder de reservação de água. Isso tudo é um planejamento que nós começamos lá em 2014.

Sobre essa questão dos novos loteamentos, a cidade desenvolve. Assim como desenvolveu no governo passado, ela desenvolveu agora. Ninguém fez nada a mais do que o outro governo também fez. Se você pegar, ele aprovou tanto ou mais que o nosso governo e não foi questionado. Aonde que empreendimento prejudica uma cidade? O que prejudica uma cidade é falta de planejamento. Nós superamos todas as dificuldades porque fizemos um planejamento de qual cidade nós queríamos ter no futuro. Não pra hoje, mas pra daqui dez, 15, 20 anos. Uma cidade autossustentável na questão de saneamento básico, água e esgoto, principalmente tratamento do esgoto, e depois como melhorar a nossa distribuição de água.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Bill espera deixar Nova Odessa encaminhada para tratar e distribuir água para até 100 mil pessoas

Qual a capacidade de tratamento de água hoje?

No início nós tínhamos uma perda muito grande, que nosso governo identificou e trabalhamos. Em 2013, quando assumimos o governo, em média, por dia, nós tratávamos 17 milhões de litros d’água. Hoje, nós estamos em 2019, quase seis anos se passaram, e tratamos 14 milhões de litros d’água.

Como que em 2013 tínhamos consumo de R$ 17 milhões, e seis anos depois diminuiu a quantidade a ser tratada e distribuída? Porque nós investimos R$ 50 milhões em saneamento e abastecimento. Hoje podemos bater no peito e falar “nós somos os melhores nessa área”. Nova Odessa na RPT (Região do Polo Têxtil) é excelência para as outras cidades. Somos sim. Não tenho vergonha de dizer que nos últimos oito anos nos transformamos, na questão ambiental, em excelência para os municípios da região.

Naquela época nós tratávamos 7% do esgoto. Hoje nós coletamos 98% e tratamos 100%, e temos condições para tratar mais. Nós preparamos nossa estação para tratar o esgoto de até 120 mil pessoas. Hoje ela trata para 75 mil, e nós temos 60 mil. Isso é fato, já acontece hoje. A minha expectativa é deixar pelo menos pré-aprovado o projeto para que nós possamos ter mais um módulo para 30 mil.

Hoje nós temos uma estação de tratamento de água que é a Coden. Tem uma estação, que é a segunda, que estamos fazendo como se fosse uma segunda Coden. Esse sistema vai nos proporcionar tratar água para 100 mil pessoas.

O que a população pode esperar em termos de obras até o final do seu mandato?

Toda obra, grande ou pequena, tem significado para o morador da cidade. Se você pegar a maior obra, vou dizer que é a ETA (Estação de Tratamento de Água). Todos nós temos medo de chegar um dia e estar com a torneira vazia, ou com água de péssima qualidade. Nossa maior preocupação é fazer com que a água continue sendo aprovada, não só pela população, mas por toda a nossa região. Na área da Saúde, tenho postos a entregar, a reforma do hospital. Na educação você tem escolas a serem inauguradas. Parece pequeno, mas não é, como o ginásio do Santa Rosa, que nós pretendemos fazer toda a reforma para entregar.

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