IZ desenvolve testes para o leite A2

Tipo de leite, com menos malefícios, vem ganhando mercado; em uma hora já é possível identificá-lo


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Principal “novidade” na indústria de laticínios nas últimas décadas, o leite A2 – variedade que, por conta da composição, não apresenta a maior parte dos malefícios do leite comum – é o ponto central de uma pesquisa em andamento no IZ (Instituto de Zootecnica), centenária instituição de pesquisa na área agropecuária instalada no Centro de Nova Odessa.

Como o produto vem conquistando mercado – representa 5% das vendas de leites infantis na China e 30% na Austrália – os cientistas brasileiros trabalham para melhorar a sua certificação.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Cientistas brasileiros trabalham para melhorar a sua certificação

Um teste criado por pesquisadores do IZ permite, em uma hora, identificar se uma amostra de leite A2 é pura ou sofreu contaminação pelo leite A1. “Isso será muito importante para os produtores e para a indústria”, afirmam os pesquisadores Aníbal Eugênio Vercesi Filho e Rodrigo Giglioti.

Um próximo passo, de acordo com os servidores, é desenvolver métodos que permitam certificar, além da tipagem como A2, o tipo de animal do qual o leite é proveniente. “Um laticínio que produz derivados de leite de búfala pode testar uma mostra e comprovar que não houve mistura com leite de vaca”, completa Aníbal.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Instituto de Zootecnia: centenária instituição de pesquisa na área agropecuária instalada no Centro de Nova Odessa

Fundado há 113 anos, o IZ é pioneiro na pesquisa científica mundial com produção animal sustentável. Além das pesquisas com leite, o instituto realiza estudos sobre plantas para pastagens – com foco na redução nas emissões de gases que causam efeito estufa – e prevenção e combate a pragas e parasitas em rebanhos. Lá está o 2º maior banco genético de espécies forrageiras da América do Sul.

Para esses trabalhos, são mantidos no local cerca de 200 ovinos, além de novilhas leiteiras. De passagem, para trabalhos específicos, a unidade de Nova Odessa também recebe suínos e aves.

“Nosso orçamento é basicamente público, vindo do governo do Estado e de agências de fomento, mas existem parcerias com a iniciativa privada para o financiamento de pesquisas voltadas para o mercado”, revela a assessora de planejamento Flávia Maria de Andrade Gimenes.

Abate

O médico veterinário Ricardo Lopes Dias da Costa comanda o rebanho de ovelhas, o único “fixo” na unidade de Nova Odessa. Nos últimos anos, o instituto desenvolveu um trabalho para permitir que os animais sejam abatidos em até 100 dias.

“A demanda, principalmente no Sudeste, é por animal mais jovem com peso entre 30 e 40 quilos. Então trabalhamos com o ovino superprecoce”, explica.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Flávia Maria de Andrade Gimenes

Além do trabalho científico, o instituto realiza, anualmente, um curso voltado a produtores ruais e chefs sobre o uso de carne ovina. Na edição de 2019, foram 42 participantes.

Nele, técnicos do instituto ensinam a manusear o produto e utilizá-lo de formas diferentes. “A participação é aberta para toda a comunidade e a demanda é sempre muito boa”, afirmou.

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