Coden garante que não faltará água se ‘chover normalmente’

Câmara de Nova Odessa promoveu debate por estar preocupada quanto ao abastecimento na cidade após aprovação de novos loteamentos


“Se chover os 1.300 milímetros que chove todo ano, não vai faltar água”. A frase foi dita pelo diretor da Coden (Companhia de Desenvolvimento de Nova Odessa), Ricardo Ongaro, durante debate na câmara no mês passado sobre a capacidade de a empresa garantir o abastecimento de água na cidade pelos próximos dez anos.

A preocupação dos parlamentares quanto ao abastecimento é impulsionada pelos 11 loteamentos e pelos sete prédios de apartamento aprovados na cidade de 2013 a 2018. Por esse motivo, o presidente da Coden foi convocado via requerimento para prestar esclarecimentos.

Desde a realização da audiência, em 11 de fevereiro, o LIBERAL questionou a prefeitura sobre quais foram as contrapartidas exigidas para aprovação dos loteamentos, e quantas delas eram relacionadas ao abastecimento hídrico. Entretanto, não houve resposta até o fechamento desta edição.

O raciocínio do diretor da Coden foi criticado pelo presidente da Casa, Vagner Barilon (PSDB), que acredita que a Coden deveria trabalhar com base no pior cenário possível, ou seja, o da crise hídrica de 2014. Nas contas de Barilon, os loteamentos aprovados representam 7.700 lotes com potencial de consumir água no futuro.

Durante o debate, o vereador Cláudio José Schooder, o Leitinho (PV), perguntou para Ongaro se ele garantia o abastecimento da cidade nos próximos dez anos mesmo com esses novos empreendimentos. A resposta foi que sim, desde que chova a média anual.

“Se chover os 1.300 milímetros que chove todo ano, não vai faltar água. A gente não pode falar, 2014 (crise hídrica) choveu 926 milímetros no ano. Se em 2005 ou 2008 tivesse chovido só 926 milímetros, teria faltado água do mesmo jeito, porque o volume subtraído da represa era o mesmo. Então teria faltado igualzinho, com cinco, seis mil hidrômetros a menos na cidade”, afirmou Ongaro.

A fala foi contestada por Barilon. “Não acho que estamos seguros de uma nova crise hídrica e cada aprovação dessa é como se a gente colocasse mais um prego no próprio caixão. Nós estamos criando um ambiente que aprovamos um monte de edificações, novos loteamentos sem ter garantido que para o restante da cidade e os novos não haverá prejuízo”.

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