Coden assume coleta de lixo e relaciona tarifa a consumo de água

Trabalho será realizado por uma empresa terceirizada; consumo de água será fator de cálculo


A Coden (Companhia de Desenvolvimento de Nova Odessa) assume a partir de quinta-feira a coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos da cidade. A mudança impactará a forma como a coleta de lixo é cobrada. Hoje, o valor é incluso anualmente no carnê de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). A partir de quinta, será cobrado mensalmente e estará condicionado ao consumo de água do imóvel.

A Coden diz que não haverá mudança no valor para 88% da população, que gera menos resíduos e paga o menor preço. No entanto, os “grandes produtores de lixo” vão sentir a alteração, de acordo com o diretor da Coden, Ricardo Ongaro.

O serviço será realizado pela terceirizada Pass Ambiental, enquanto os funcionários da prefeitura atuarão apenas nos bairros de chácaras. Nas regiões onde a coleta será da Coden, o morador receberá o carnê do IPTU sem a cobrança. A primeira TMR (Tarifa de Manejo de Resíduos) mensal virá inclusa na conta de água com vencimento em fevereiro. Os moradores das chácaras continuarão a pagar anualmente no IPTU.

A quantidade média prevista de resíduos a ser coletada por ano é de 16,5 mil toneladas.

A coleta mecanizada terá contêineres, distribuídos de forma gradual e conforme necessidade detectada pela Coden, que também pede para a população não colocar os sacos de lixo nos cruzamento das avenidas.

VALORES. A taxa da coleta será de acordo com o consumo de água. Segundo Ongaro, a decisão se baseou em um estudo da Universidade Federal de Joinville (SC).

“Eles fizeram a medição, pesaram o lixo residência por residência, consumo de água e consumo de energia elétrica também, e acharam uma correlação. Então onde tem mais habitantes consome-se mais água. Concomitantemente gera-se mais lixo, mais papel higiênico, mais insumos”, explicou Ongaro.

Uma residência que consome até 15 m³ por mês pagará R$ 9,43, totalizando R$ 113,17 no ano. Até 30m³, o valor sobe para R$ 10,37 ao mês e R$ 124,49 ao ano.

No caso dos “grandes produtores de lixo” citados pela Coden, que são aqueles que usam mais de 300 m³ de água, o valor é R$ 47,15 por mês e R$ 565,85 por ano para endereço residencial. De acordo com a prefeitura, atualmente, os grandes geradores pagam o mesmo valor de um de pequeno porte.

“Tem supermercado aqui que paga R$ 105 no ano e deve [passar a] pagar média de R$ 2 mil por mês. Se não quiser que a Coden recolha, eles têm alternativa de procurar iniciativa privada. Vai ser mais caro, mas em toda a região já é maior do que aqui”, afirmou o diretor da Coden.

O presidente da Acino (Associação Comercial e Industrial de Nova Odessa), Claudinei da Silva, teme que a mudança possa afetar o consumidor final. Os possíveis impactos não foram discutidos previamente.

“O que avalio como cidadão é que novamente o empresário paga a conta. A grande preocupação da gente como gestor é que isso impacte em cima do consumidor final, porque todo empresário faz análise de custo para chegar a um denominador comum”, opinou.

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