Clube da Melhor Idade dá novo sentido para vida de idosos

Projeto mantido pela Prefeitura de Nova Odessa, nas dependências do extinto clube Lítero, atende mais de mil idosos na cidade


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Aos 60 anos, a merendeira Nair Aparecida Pegoraro Gomes precisou descobrir um novo sentido para a vida. Ela acabava de se aposentar e no mesmo período perdia o marido. Sem o trabalho e o companheiro de muitos anos ao lado, precisou buscar forçar para seguir em frente e a encontrou no Clube da Melhor Idade, onde fez amigos e descobriu o artesanato como opção de vida.

O projeto é mantido pela Prefeitura de Nova Odessa, nas dependências do extinto clube Lítero. Nair pertence ao grupo formado por mais de mil idosos que frequentam assiduamente o local, em busca de atividades que preencham seus dias ou simplesmente de amigos para atravessarem juntos a chamada “melhor idade”.

“Muitos idosos chegam aos 60 anos sozinhos e tendo como única opção cuidar dos netos, mas eles deveriam estar cuidando de si. Afinal, é a melhor idade”, diz a fisioterapeuta e coordenadora do clube, Cristiane Mareschi Barbosa.

Segundo ela, a proposta do local é oferecer atenção integral aos idosos. “Cuidamos do físico e do emocional. O objetivo é que tenham qualidade de vida”.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Clube da Melhor Idade é mantido no extinto clube Lítero

Cristiane informa que 1.100 idosos passam pelo local, diariamente ou pelo menos uma vez por semana. São 14 atividades diferentes, incluindo modalidades físicas como vôlei, caratê, dança (em grupo e salão), ginástica e jogos de mesa, além de yoga, artesanato e a “papoterapia”, terapia em grupo conduzida por um médico com a participação de psicólogos e que visa combater uma companheira indesejada desta fase da vida: a depressão.

Nesses encontros, os participantes falam de temas como solidão, doenças e perdas. “Uma pessoa ouvindo o que um colega fala pode tirar uma lição dali e usar para melhorar a sua própria vida”, diz a coordenadora. A troca de experiências serve para mostrar ao idoso que ele não está sozinho e acontece também durante as aulas do grupo de artesanato.

“Quando percebemos que tem alguém entrando em depressão, a gente já faz alguma coisa para não deixar isso acontecer”, conta Nair.

Depois de aprender a fazer artesanato nos cursos da prefeitura, hoje, aos 66 anos, frequenta o clube passando adiante o que aprendeu. A amiga Yolanda Pereira Nazário seguiu o mesmo caminho. Em depressão, começou a melhorar quando recebeu um convite para ser voluntária no local.

Foi dela a iniciativa de tricotar peças de bebê em lã para presentear as gestantes que dão à luz no Hospital Municipal Dr. Acílio Carreon Garcia. O projeto une as mulheres do clube e vai além de aquecer os recém-nascidos nos dias de inverno. “Damos o presente, mas acabamos recebendo muito mais em troca. Hoje, isso é a minha vida”.

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