Casa Lethonia: o balcão mais antigo de Nova Odessa

Mais conhecida como Loja do Oscar, comércio centenário viu a transformação da cidade


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Da esquina entre a Avenida João Pessoa e a Rua XV de Novembro, a família Araium viu Nova Odessa se transformar nos últimos 100 anos. É nesse endereço que funciona um dos comércios mais antigos da cidade ainda em atividade, a Casa Lethonia. Ou melhor, a Loja do Oscar.

Quem entra no imóvel de fachada discreta encravado no Centro da cidade encontra uma variedade de itens domésticos. Jogos de taças, de sobremesa, de pratos, copos, panelas e toalhas de mesa – estas últimas consideradas o carro-chefe do comércio pelo proprietário Oscar Araium Junior, de 79 anos.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Oscar garante que a loja não corre risco de fechar, mas não descarta vendê-la para ficar mais tempo com Eliza

O comerciante contou à reportagem do LIBERAL como a história da loja se mistura com a da família e, também, com a da própria Nova Odessa. O comércio foi um presente de casamento que seu pai Oscar Araium ganhou do avô, em 1922. Inicialmente um armazém, a loja vendia de produtos alimentícios a roupas e calçados.

Oscar cresceu vendo os pais lutando por cada venda, um verdadeiro desafio na Nova Odessa do século passado. Na época, a cidade ainda era um distrito de Americana e a demanda pelos itens era restrita. Ele se lembra que muitas vezes as refeições saíam das mercadorias do próprio armazém e de ver a mãe, dona Lucia, chorando sobre a máquina registradora.

“Muita gente já quis comprar essa máquina, mas não vendo. A dificuldade que tiveram de comprar, por isso mantenho até hoje como tradição deles. O começo foi muito difícil, quantos clientes tinham? Nós herdamos, já estava encaminhada”, contou. Com dois irmãos falecidos, Oscar divide a administração da loja com a esposa, Eliza do Carmo Paganotti Araium, de 74 anos.

Oscar Araium – o pai – teve durante alguns anos outra loja na Avenida Carlos Botelho, e a infância de Oscar – o filho – foi se deslocando entre os endereços, levando e trazendo mercadorias. A chegada de supermercados ao município mudou o perfil da loja, que passou a investir em presentes e deixou de lado os produtos alimentícios.

“Até hoje estamos aí, acompanhando o crescimento de Nova Odessa. Eu nasci e fui criado aqui, então a gente viu o desenvolvimento”, recorda.

Oscar lembra ainda que o perfil geométrico do Centro da cidade, com quadriláteros perfeitos, foi perdendo espaço com os primeiros loteamentos. Bela Vista, Santa Rosa e os demais bairros que surgiram tinham uma preocupação maior em aproveitar o espaço do que manter a estética caprichada da região central.

De perfil administrador, Oscar diz que seu pai sim era um comerciante nato. Mesmo negando o perfil, o atual proprietário da loja demonstra um olhar apurado sobre a economia e o comércio.

Atento à importância do fluxo de pedestres para o comércio, tem opiniões embasadas sobre as melhores regiões para instalação de lojas. Oscar encara de forma negativa o Corredor Metropolitano na Avenida Ampélio Gazzetta, que impede o estacionamento de carros na via. Por outro lado, vê com otimismo o crescimento da região do Jardim Alvorada, e a compara à Cidade Nova, em Santa Bárbara d’Oeste.

Formado em Comércio pelo Dom Bosco, em Americana, Oscar já fez parte de associações comerciais, teve carreira na administração do Instituto de Zootecnia e atualmente integra o Sincomércio (Sindicato dos Lojistas e do Comércio Varejista de Americana, Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste).

Ele demonstra preocupação com o futuro do país, reclama dos impostos, mas diz não perder a esperança. Questionado se a loja corre risco de fechar, ele garante que não. Contudo, não descarta vendê-la para conseguir “passear mais” ao lado da companheira Eliza.

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