09 de julho de 2020 Atualizado 15:08

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Compartilhe

Nova Odessa

Carol Moura renuncia ao cargo em Nova Odessa

Documento foi protocolado pela então vereadora momentos antes da sessão que votaria o pedido de cassação do mandato dela

Por André Rossi

27 jun 2020 às 14:40 • Última atualização 27 jun 2020 às 20:25

A vereadora de Nova Odessa, Carol Moura (Podemos), renunciou ao cargo quatro minutos antes do início da sessão extraordinária que votaria seu pedido de cassação, na tarde deste sábado (27).

A parlamentar classificou a reunião como “ilegal” e criticou a convocação de seu suplente, Wladiney Pereira Brigida, o Polaco (PL), para participar da votação.

Essa é a primeira vez que um vereador pede renúncia na Câmara de Nova Odessa. Com isso, não houve votação do parecer de cassação elaborado pela CP (Comissão Processante). A cadeira vaga será assumida por Polaco.

“Não admito ser julgada por pessoas que não têm estrutura moral para me julgar. Eu renuncio porque, na verdade, ser julgada, absolvida ou condenada por vocês não significa nada além dos seus assuntos pessoais políticos”, disparou Carol Moura.

Sessão extraordinária, realizada por videoconferência, iria analisar pedido para cassação do mandato de Carol Moura – Foto: Reprodução

A sessão foi convocada pelo presidente da Casa, Vagner Barilon (PSDB) na última quinta-feira (25). No mesmo dia, Carol entrou na Justiça com um pedido de tutela de emergência para tentar barrar a votação, mas o recurso não foi acatado.

Para a vereadora, o agendamento para um sábado era ilegal e o prazo de 90 dias para conclusão dos trabalhos da CP teria expirado. A comissão foi formada em dezembro do ano passado para apurar uma possível quebra de decorro por conta de um processo criminal.

O caso em questão aconteceu no dia 17 de fevereiro de 2019, quando Carol foi detida em flagrante supostamente tentando levar cinco peças de roupa avaliadas em R$ 925 da loja Zara, no shopping Dom Pedro, em Campinas.

A vereadora Carol Moura, durante sessão da câmara – Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal_10.7.2019

Após pagar fiança, a política foi liberada. Na época, ela ocupava o cargo de secretária de Desenvolvimento Econômico da prefeitura e pediu exoneração após o episódio. Em 15 de março, se afastou por “motivos médicos” do Legislativo e só retornou 100 dias depois, em 24 de junho.

Nesse intervalo, em 4 de junho, Carol fechou acordo na 3ª Vara Criminal de Campinas para suspender o processo criminal por dois anos. Na época, a vereadora alegou que estava abalada emocionalmente, sob efeitos de remédios e de que o caso havia sido um “mal entendido”.

A CP foi formada via sorteio. Elvis Ricardo Maurício Garcia, o Pelé (PSB), é o presidente, Carla Lucena (PL) é a relatora e Cláudio José Schooder, o Leitinho (PSD), ficou como membro. O parecer final foi protocolado na última terça-feira (23) e pedia a cassação do mandato.

Acusações
Na sessão deste sábado, o pedido de renúncia foi lido pelo presidente. Durante o uso da palavra, Carol atacou Barilon, o chamou de “reizinho” e disse que ele teria interesses pessoais no caso.

“Para de se achar o reizinho dessa câmara, senhor presidente, porque o senhor também é uma vergonha para tudo isso”, disse a agora ex-vereadora.

Carol sugeriu que alguns vereadores chegaram a pedir dinheiro para votar contra sua cassação, mas não revelou nomes. A fala gerou revolta de colegas, como Carla Lucena e Leitinho, que disseram que ela terá de provar as acusações.

Já Polaco, que foi citado por Carol como “mais sujo do que pau de galinheiro”, prometeu registrar um boletim de ocorrência por injúria e difamação.

Durante sua fala, ela relembrou um caso de 2018, quando Polaco foi detido acusado de corrupção passiva; o caso permanece em fase de inquérito e ainda não houve denúncia por parte do MP (Ministério Público).

“Ela falou inverdades. Falou que eu era sujo, inúmeras coisas e isso não é verdade” afirmou Polaco.

Questionado pelo LIBERAL, Barilon comentou que pretende rever o vídeo da sessão para decidir se tomará alguma providência.

A reportagem tentou, mas não conseguiu contato direto com Carol até a publicação desta matéria.