Bill: ‘Teremos água tratada para 107 mil pessoas’

Em entrevista ao LIBERAL, prefeito de Nova Odessa garante que sistema de abastecimento está preparado para expansão imobiliária


Principal assunto da campanha eleitoral em que ele conquistou o seu primeiro mandato, o abastecimento de água foi o primeiro tema da entrevista exclusiva concedida pelo prefeito de Nova Odessa, Benjamim Bill Vieira de Souza (PSDB), ao LIBERAL.

Em 2012, quando foi eleito para o cargo pela primeira vez, a discussão era sobre o projeto do seu vice-, Oscar Berggren (PPS), de montar uma cervejaria, empreendimento hoje em funcionamento. Agora, a dúvida gira em torno da expansão imobiliária recente vivida pelo município. Até outubro, 2.478 novos lotes – a maioria em condomínios fechados – haviam sido liberados na cidade.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Bill caminha para reta final de seu segundo mandato e disse já ter um nome no coração para trabalhar como sucessor

Caminhando para a reta final do mandato, o tucano fez um balanço sobre as medidas adotadas no auge da crise econômica, admitiu o erro ao terceirizar a gestão da Saúde e garantiu que pretende influenciar na escolha do seu sucessor, nas eleições de 2020. Confira a entrevista.

LIBERAL
Nova Odessa vive uma expansão imobiliária, tanto com a aprovação de loteamentos quanto de condomínios verticais, desde que o senhor assumiu a prefeitura, em 2013. A dúvida de muitas pessoas é sobre a oferta de água. A cidade está preparada para receber os moradores desses empreendimentos ou está se preparando?

Bill
A cidade já está preparada. Não houve uma grande expansão, apenas deixamos o sistema mais democrático. Hoje você tem várias pessoas investindo na cidade. Temos 100% de esgoto tratado. Quando eu assumi, em 2013 nós tratávamos 17,5 mil metros cúbicos de água por dia. Hoje nós tratamos 15,3 mil. A cidade cresceu e a demanda por água diminuiu.

Como isso é possível? Até 2012, 47% de toda a água tratada de Nova Odessa era perdida até chegar na casa do consumidor. Perdíamos não só a água, mas também o investimento feito para tratá-la, que é alto. Trocamos praticamente toda a tubulação na cidade – vamos finalizar agora o Jardim Alvorada e o Capuava – por materiais com 100 anos de garantia.

Tínhamos um grande problema habitacional. Muita gente pagando aluguel e o preço de um lote muito caro porque estava na mão de três ou quatro pessoas. A cidade, praticamente, tinha dono. Abrimos o mercado, de uma forma responsável e com contrapartidas pesadas. Daqui há dois anos eu terei uma nova estação de tratamento de água com capacidade para 107 mil pessoas. E eu tenho 57 mil habitantes.

Os últimos anos foram muito difíceis para muitos municípios. Qual a sua expectativa para as receitas de Nova Odessa nos próximos anos?

Bill  
Assumimos o governo quando já estava se iniciando uma queda. O problema começa na União, passa pelos Estados e chega no para-choque, que é o município. Em 2014, nós enfrentamos uma das maiores crises hídricas da história. Isso nos afetou muito porque nossa principal fonte de receita é o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) e as maiores empresas de Nova Odessa são indústrias do setor têxtil, que consomem muita água.

Sem água, diminui a produção. Tivemos outro problema sério nas empresas metalúrgicas por conta da questão de Minas Gerais (desastre ambiental da Samarco). Perdi 70% do ICMS de uma empresa do porte da KS Pistões. Foi preciso repensar o sistema administrativo. Mantive os salários dos servidores em dia, mas tinha fornecedores e investimentos para fazer. Meu déficit só aumentava. Criei um comitê financeiro, para analisar as compras da prefeitura.

Reduzi o horário de atendimento dos setores – exceto saúde, educação e segurança – pela metade e parei de gastar com alimentação. Cortei gastos com energia, horas-extras e tirei 10% do salário dos meus funcionários comissionados. Foi assim que conseguimos fechar no azul e ter as contas aprovadas. O pior já passou, mas o município não sobreviveria a mais uma crise como essa de 2015 e 2016.

Quando você perde o recurso do pagador de impostos é difícil de recuperar. Eu faço uma analogia com uma queimadura na pele. Ela cicatrizou, mas a pele está muito fina. Qualquer coisa pode abrir de novo e o tratamento será mais duro.

Seu governo fez uma experiência de gestão terceirizada no Hospital Municipal, mas optou pela retomada. O que deu errado? O atendimento na área de Saúde já chegou ao nível que o senhor gostaria?

Bill  
Primeiro que não chegou ainda no que eu queria. A humanização do atendimento, principalmente. Entendo que em infraestrutura e mão-de-obra, nós avançamos bem. Mas entendo que é preciso separar o sistema. Hoje quem vai ao hospital visitar um parente acidentado aguarda no mesmo espaço que alguém que espera o nascimento do filho. Eu passei por isso.

Sobre a terceirização eu entendo que quando assumi não tinha experiência administrativa. Quando contratei o ICV (Instituto Ciências da Vida) eu tinha certeza que havia feito a melhor opção. Pesquisei os municípios onde funcionava e era uma maravilha. Onde eu errei? Entreguei 100% da nossa saúde. Da unidade básica até a porta aberta do hospital.

No início as coisas se encaixaram. O atendimento melhorou, o povo estava mais feliz. Eu não estava por conta das notas apresentadas e a prestação de contas. Falei para o meu jurídico que não queria nada de erro. Era multa e, se não consertasse, rescisão do contrato. O ICV saiu por não fazer o trabalho de forma transparente.

Está em discussão o anteprojeto do Plano Municipal de Mobilidade Urbana. Ele prevê alguns projetos ambiciosos, como novas ligações viárias. O senhor pretende viabilizá-las em parceria com empreendimentos ou espera recursos federais e estaduais?

Bill
Aprendi com o viaduto que acabamos de inaugurar que é preciso ter bons projetos. Tínhamos o problema do acesso à Rodovia Astrônomo Jean Nicolini (que liga Nova Odessa a Americana) pela Avenida Ampélio Gazzetta. Às 17 horas a cidade parava.

Me reuni diversas vezes com o governo do Estado e ouvi que não tinha recurso para fazer. Até que, em uma oportunidade consegui mostrar um vídeo do local ao então governador Geraldo Alckmin (PSDB), que determinou a inclusão da obra no orçamento estadual. E o projeto já estava pronto! As ligações que propomos são obras caras, mas absolutamente necessárias e não podem ficar fora de um plano de mobilidade urbana.

O senhor entra agora na metade final do seu último mandato. Vai indicar alguém para disputar as eleições como seu sucessor ou não gostaria de participar desse processo?

Bill

O prefeito que não quer fazer o seu sucessor ou fez um governo ruim ou quer que seu sucessor trabalhe mal para voltar em quatro anos. Eu tenho o desejo de indicar uma pessoa e estar ao lado dela nas ruas, pedindo votos. Já tenho o nome no meu coração, mas agora é hora de esperar a razão demonstrar que ele ou ela têm condições de disputar uma eleição.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!