Presos fazem rebelião e deixam três agentes de reféns

Aproximadamente 1,9 mil presos dos conjuntos 3, 4, 5 e 6 teriam tentando tomar o controle do local durante a troca de turno


 

Três agentes penitenciários foram feitos reféns no fim da tarde desta segunda-feira na Penitenciária 2 “Odete Leite de Campos Critter”, em Hortolândia. Identificados apenas pelos primeiros nomes, os funcionários Roger, Nilson e Calusni permaneciam com os detentos até a 0h45 desta madrugada. De acordo com a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) aproximadamente 1,9 mil presos dos conjuntos 3, 4, 5 e 6 teriam tentando tomar o controle do local durante a troca de turno dos servidores, por volta das 17h30. A capacidade total da Penitenciária 2 é de 855 presos e segundo a Afapesp (Comissão de Direitos Humanos dos Profissionais de Segurança Pública de São Paulo), o número total de presos de todo complexo já está 67% acima da capacidade permitida.

Até o fechamento desta reportagem, as negociações não haviam sido encerradas. Não há informações de quais seriam as exigências dos presos, mas, pelo menos, cinco viaturas de transferências de presidiários e três ambulâncias entraram no complexo durante este período. Diversas viaturas da Polícia Militar, SAP e GIR (Grupo de Intervenção Rápida), além do helicóptero Águia, foram acionados para tentar controlar a situação já que os presidiários colocaram fogos em colchões e outros objetos pessoais.

A presidente da Afapesp, Adriana Borgo, informou que este teria sido o segundo episódio envolvendo reféns, em poucas semanas. De acordo com ela, um agente teria sido espancado no conjunto 1 da Penitenciária 4, há duas semanas. “Oito agentes penitenciários já morreram este ano no Estado, três deles só na Região Metropolitana de Campinas”, informou. Adriana também disse que ainda não era possível identificar os motivos que levaram os presos a tomarem esta atitude. “Não sabemos se foi algo para tentar desviar a atenção dos ataques a Polícia Militar na Capital neste final de semana ou se é alguma reivindicação daqui”, explicou. Três bases da Polícia Militar comunitária foram atacadas nas Zonas Norte e Leste da Capital na madrugada desta segunda.

Até o fechamento desta edição, os oficiais da SAP confirmavam que não havia nenhum ferido ou morto durante a ação. A última rebelião no complexo de Hortolândia havia acontecido em outubro de 2006 e terminou com um preso ferido.

Sem notícias, familiares colocam fogo em pneus

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Quatro horas após o início da rebelião, a população resolveu atear fogo em pneus, madeiras e galhos na rua lateral ao CDP

Logo que as primeiras notícias sobre a rebelião começaram a ser divulgadas, dezenas de parentes dos presos passaram a buscar por mais informações na portaria principal do Centro de Detenção. Aproximadamente 200 pessoas exigiam que o diretor da unidade desse explicações sobre as condições físicas dos presos. Com poucas notícias, os familiares ameaçaram trancar a passagem de viaturas e advogados que atravessavam a multidão e chegaram a fazer um cordão de isolamento, antes de serem convencidos pelos policiais da SAP a cooperar com a situação.

Quatro horas após o início da rebelião, a população resolveu atear fogo em pneus, madeiras e galhos na rua lateral ao CDP, em forma de protesto. Uma mãe de detento, que não quis se identificar, denunciou as condições precárias em que os presos estariam vivendo. “Na semana passada um preso morreu e ninguém telefonou para os familiares. A mãe dele ficou sabendo da notícia aqui no portão principal. Também tem um monte de detento com tuberculose e sendo tratado que nem cachorro. A gente não quer confusão, mas estamos pedindo socorro. Sou uma mãe pedindo ajuda de verdade”, desabafou.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora