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Hortolândia

Hortolândia quer se tornar polo do pão de queijo

Movimento tenta dar reconhecimento a setor que reúne cerca de 50 produtores, de acordo com estimativas da prefeitura

Por George Aravanis

28 jun 2020 às 10:22 • Última atualização 28 jun 2020 às 10:34

Quando ouve falar em pão de queijo, você pensa em Minas Gerais? Fabricantes do produto, Prefeitura de Hortolândia e a entidade que representa os empresários do ramo no município desenvolvem um esforço conjunto para mudar esta associação quase automática.

A intenção é fazer com que a cidade seja reconhecida como polo nacional do pão de queijo. Um dos principais passos do plano é a criação de um selo de qualidade para provar que Hortolândia não só produz muito, mas produz bem.

“É que nem o selo do queijo da Canastra, do café Abic”, resume Mara Pereira Mendes, que atua há 25 anos no mercado, é sócia de uma das indústrias de Hortolândia e acha que o selo vai ajudar o empresariado a entrar em novos mercados e fechar negócios.

Na empresa de Cristian, 95% dos compradores de pães de queijo são de fora da cidade – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Mara está envolvida no APL (Arranjo Produtivo Local), um aglomerado criado em 2019 que une dez produtores e emprega cerca de 250 pessoas. Só estas empresas fabricam cerca de mil toneladas por mês, segundo a prefeitura.

A administração diz que há 23 indústrias do ramo cadastradas na Junta Comercial do Estado. Mas o próprio governo municipal e empresários do segmento estimam que o número real de fábricas gire em torno de 50.

É difícil mensurar o papel de Hortolândia no cenário nacional. O LIBERAL perguntou para o Ministério da Economia, à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e à Abiq (Associação Brasileira das Indústrias de Queijo) quanto pão de queijo se fabrica no País e no Estado. Ninguém sabe.

Mas quem é do segmento tem certeza da importância da cidade. “Você não tem como provar, não tem os dados na mão, mas, sem medo de errar, ninguém bate Hortolândia. É impossível, é muita fábrica”, crava Héber Cavalcante, um dos sócios de outra fabricante de pão de queijo.

“Às vezes, a pessoa tem aquela visão: ‘ah, pão de queijo de Minas’. Você vai em Minas, o pão de queijo é da nossa cidade”, afirma Cleber Marola, gerente comercial da Aciah (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Hortolândia).

Não é força de expressão. Cristian Eduardo Ferreira, dono de uma das fábricas hortolandenses, conta que 95% de sua clientela está fora do município. Seus consumidores estão no Paraná, Santa Catarina e, sim, sul de Minas.

Capital paulista e Rio de Janeiro, onde o forte é a venda na rua, por ambulantes, também figuram entre os destinos do pão de queijo hortolandense.

O APL local foi reconhecido no último dia 1º pelo governo do Estado, o que permite às empresas, além da troca de experiências, participar de programas de capacitação, incentivo à tecnologia e de editais que podem prever recursos e investimentos, afirma a prefeitura. Héber, que já tentou exportar para o Chile e esbarrou na burocracia, acredita que a criação do grupo também pode ajudar na venda ao exterior.

Segundo a prefeitura, o projeto para instituição do selo é desenvolvido em parceria com a Aciah e com profissionais das empresas, como engenheiros de alimentos e nutricionistas. A ideia é avaliar os processos de produção e características como sabor, textura, cor e brilho do pão de queijo.

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