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Caso Maria Clara

Advogada pede para deixar defesa de padrasto de Maria Clara

Filhas da profissional auxiliaram nas buscas pela menina, que foi morta e estuprada pelo padrasto; juiz aceitou o pedido

Por André Rossi

13 fev 2021 às 08:27

A advogada indicada para defender o auxiliar de produção Cássio Martins Camilo, de anos 27, – que confessou ter estuprado e matado a enteada Maria Clara Calixto Nascimento, de 5 anos – pediu para deixar o caso. O crime aconteceu no dia 18 de dezembro de 2020 em Hortolândia.

A profissional foi nomeada pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo no dia 3 de fevereiro. Em seu pedido de renúncia, a advogada apontou que suas próprias filhas ajudaram nas buscas pela vítima enquanto a criança estava desaparecida.

O crime gerou comoção popular e motivou protestos em frente à delegacia de Hortolândia, em dezembro – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Por tal motivo, a advogada argumento que seria “inaceitável” para sua família que ela assumisse a defesa do acusado. Protocolado no dia 9 de fevereiro, o pedido foi aceito pelo juiz da 2ª Vara Judicial de Hortolândia.

O LIBERAL apurou que, além da questão familiar, a advogada também integra a Comissão da Mulher da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Hortolândia. Ela julgou que seria contraditório representar Cássio, já que é defensora do direito das mulheres e, consequentemente, das crianças.

Com 14 anos de profissão e há cinco prestando assistência jurídica gratuita, esta foi a primeira vez que a advogada pediu para não assumir um caso. O LIBERAL entrou em contato com ela, que preferiu não gravar entrevista e disse que não queria ter seu nome divulgado.

Corpo da menina foi encontrado em um terreno baldio – Foto: Reprodução

Paralelamente, o acusado segue com dificuldades para conseguir um advogado. Depois da renúncia, um novo defensor foi nomeado para o caso na quarta-feira (10).

Porém, um dia depois, o profissional também informou que não poderia aceitar o posto, mas por um motivo diferente: ele foi contratado pelo pai da vítima no início do mês para atuar como assistente de acusação.

Até a publicação desta matéria não havia indicação de um terceiro defensor para representar o acusado.

Somadas, as penas para o autor do crime podem chegar a 63 anos de prisão – Foto: Reprodução

Relembre o caso
De acordo com o inquérito policial, Cássio admitiu durante interrogatório que usou drogas na noite que antecedeu o crime e “surtou” na manhã do dia 17 de dezembro, quando estava sozinho com Maria Clara, após ela ter se irritado ao ser proibida de ir na casa da vizinha para brincar.

O homem confirmou que realizou a “prática sexual” e, na sequência, utilizou as duas mãos para apertar o pescoço da criança, que não resistiu. Ele enrolou a menina numa cortina, colocou o corpo dentro de uma caixa de papelão e cobriu com pedaços de plástico.

Câmeras de segurança de residências da área flagraram Cássio carregando a caixa por ruas do bairro Vila Real, às 10h53, até o terreno baldio onde o corpo foi encontrado, na Rua Irmã Nazária Rita de Fillipi, no bairro São Felipe, próximo à casa da família.

O homem foi denunciado pelo MP (Ministério Público) por homicídio triplamente qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver. Se a denúncia for aceita pela Justiça, ele pode ir à júri popular.

Segundo a assessoria de imprensa do MP, as penas somadas podem resultar em 63 anos de prisão. “Pode haver progressão na melhor das hipóteses em 31 anos”, informou o órgão.

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