Chuvas provocam estragos e deixam desalojados na RPT

Em Sumaré, 1,5 mil pessoas tiveram que deixar suas casas e foram levadas para um ginásio; muitas perderam tudo


Áreas alagadas, famílias desalojadas e bens destruídos pela água são o resultado do fim de semana chuvoso na RPT (Região do Polo Têxtil). Sumaré foi uma das cidades mais afetadas. De acordo com a Defesa Civil, foram registrados em apenas três dias 149 milímetros de chuva, cerca de 77% do esperado para todo o mês de dezembro.

Os bairros mais afetados foram o Jardim São Domingos, Jardim Primavera, Picerno I e Brasilicata, além do Três Pontes. No total, 1,5 mil pessoas firam desabrigadas na cidade.[\img]E foi no começo da noite de domingo (27) que a água e a lama invadiram a casa da faxineira Iolanda de Oliveira, de 51 anos, moradora do bairro Três Pontes.

“Moro aqui há quatro anos e minha casa nunca alagou. Nunca vi tanta água assim”, disse ela, enquanto apontava a marca na parede que denunciava a altura que a enchente atingiu dentro do imóvel – cerca de 1,50 metro. Iolanda e o marido até tentaram salvar roupas e eletrodomésticos, mas não houve tempo. Nem mesmo o jantar escapou. Dentro de gavetas, panelas e da geladeira só mesmo muito barro.

“Algumas pessoas foram levadas para o abrigo provisório montado no Ginásio de Esportes ‘Vereador José Pereira’, na Vila Zilda Natel. Muitos preferiram ficar em casa esperando a água baixar”, explicou o coordenador da Defesa Civil de Sumaré, Josué Fernandes Santos. “Em um determinado período da madrugada tivemos de interditar até a entrada principal da cidade devido ao volume de água”, ressaltou.

A dona de casa Michele Batista, de 22 anos, preferiu não arriscar. Ela, o marido, Rodrigo Aparecido Ramiro, de 28, as duas filhas e a sogra, que vivem numa casa próximo do Ribeirão Quilombo, no Jardim Picerno, deixaram o local na noite de domingo e preferiram dormir no abrigo montado pela prefeitura. “Saímos com a roupa do corpo”, disse.[\img-1]”A gente estava dormindo, por volta das 22 horas, quando a água subiu. Só saímos a tempo porque meu cunhado veio avisar da enchente”, completou ela, que está grávida do terceiro filho.

Dentro do ginásio, ao lado de Michele, estava a cozinheira Dalila do Amaral, de 50 anos. Os olhos demonstravam muita tristeza ao falar do barraco e dos bens, destruídos depois que a água subiu.

“Eu vim para cá, mas meu marido ficou para tentar salvar alguma coisa”, afirmou a moradora do Jardim Primavera. “Não sei nem quando vou voltar para casa”, lamentou. Depois da enchente, ela precisou emprestar roupas e dormir na casa de uma amiga. “É revoltante. Eu queria que a Cristina [Carrara, prefeita de Sumaré] estivesse no meu lugar. Você trabalha, mas não tem retorno nenhum. Na hora da eleição, só vem palminha no ombro”, indignou-se.

Iolanda, Michele e Dalila. Três mulheres que não se conhecem, mas que viveram histórias e dramas parecidos. “Agora é pedir saúde para trabalhar e juntar dinheiro e comprar tudo de novo. A prefeitura não percebe o quanto a gente precisa de uma moradia digna”, resumiu a faxineira.

[\img-2]Limpeza

Em nota, a Prefeitura de Sumaré afirmou que a Secretaria de Serviços Públicos já atua na limpeza dos bairros. Já o Cras (Centros de Referência de Assistência Social), segue em funcionamento, com distribuição de itens de primeira necessidade às famílias atingidas pelas chuvas.

Ainda segundo a administração, as equipes da prefeitura e da Defesa Civil monitoram as condições climáticas e o nível dos cursos d’água em tempo real e permanecem em alerta 24 horas. Até o fim da noite desta segunda-feira (28), o Executivo também informou que 475 imóveis ainda estavam afetados e que o número de pessoas atingidas havia caído de 1,5 mil para 800.

O governo do Estado, por sua vez, realizou doações para o município como cem colchões, agasalhos, produtos de limpeza e botas. A prefeitura também pediu para que empresas e voluntários contribuam com doações diretamente no ginásio de esportes.

Hortolândia e Nova Odessa também somam prejuízos

Em Hortolândia, choveu em 24 horas 73% do esperado para todo o mês – foram 140 milímetros. O município entrou em estado de atenção por conta do índice registrado até agora, de 352 mm.

Casas foram invadidas e houve rachaduras em oito pontos, localizados nos bairros Jardim São Francisco, Sumarezinho, Nova Hortolândia, Santa Rita de Cássia e Parque São Gabriel, onde houve a queda de um muro.[\img-3]Não houve vítimas, mas algumas famílias precisaram se deslocar para casas de parentes e vizinhos por conta do estado das residências. Segundo a Secretaria de Serviços Urbanos, duas árvores caíram no Parque Chico Mendes e Jardim do Lago.

Já em Nova Odessa, 150 imóveis ficaram alagados nos bairros Jardim São Jorge, Nossa Senhora de Fátima, Jardim Conceição, Jardim Flórida, Vila Azenha e Jardim Fadel. Algumas pessoas precisaram ser retiradas de suas residências com o auxílio de um barco, já que água chegou a altura de três metros.

A prefeitura utilizou caminhões para retirar móveis e equipamentos das casas, colocando à disposição ginásio e escolas. Contudo, as famílias preferiram se alojar com parentes e amigos.

Mesmo assim, a prefeitura não escapou da reclamação dos moradores. “É muito triste ver uma situação dessas e a prefeitura não fazer nada para resolver o problema”, criticou a estudante Tainara Garcia da Silva, de 19 anos.

“Nunca vi tanta água subir tão rápido. Chegou a mais de um metro durante a madrugada e muita gente estava dormindo, se não fossem os vizinhos avisarem, tinha gente que teria morrido afogada”.

Em Santa Bárbara d’Oeste, a Defesa Civil não recebeu nenhum chamado, mas uma equipe constatou um ponto de alagamento na Avenida Santa Bárbara, próximo ao Córrego Giovanetti. Um bueiro foi desobstruído, possibilitando o escoamento da água.

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