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Lavaggio

PF faz operação contra lavagem de dinheiro do tráfico em Campinas

Operação é um desdobramento de uma investigação que revelou o esquema criminoso em outubro do ano passado no Aeroporto de Viracopos

Por Milton Paes

10 fev 2021 às 11:46

Agentes da PF (Polícia Federal) cumprem nesta quarta-feira (10) mandados de busca e apreensão e ordens judiciais contra crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens obtidos com lucros decorrentes do tráfico internacional de drogas a partir do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.

As ações fazem parte da Operação Lavaggio, um desdobramento da Operação Overload, que revelou o esquema criminoso em outubro do ano passado. O nome da operação tem origem na palavra italiana, que significa lavagem e faz referência à ocultação de bens e capitais praticada pela quadrilha.

A Polícia Federal cumpre seis mandados de busca e apreensão, e sete ordens judiciais de bloqueio de imóveis em Campinas e Monte Mor. O valor aproximado do congelamento dos bens é de R$ 3 milhões.

O objetivo da operação Lavaggio é reunir provas dos crimes cometidos por um dos investigados da Operação Overload. O suspeito, que era um dos responsáveis por enviar a droga do Aeroporto Internacional de Viracopos para a Europa, cometeu pelo menos 20 atos de lavagem de dinheiro, entre eles alienações de veículos, compras de casas, chácaras e apartamentos, envolvendo familiares, terceiros e pessoas jurídicas que não têm renda compatível com as transações.

Ao LIBERAL, o delegado chefe da Polícia Federal em Campinas, Edson Geraldo de Souza, falou sobre o objetivo dessa operação de hoje. “O mais importante em relação a esse caso é esse processo de desarticulação e descapitalização das organizações criminosas. Na Operação Overload, nós identificamos os criminosos e o esquema criminoso e desarticulamos. Isso se dá com a prisão e a cessação da atividade criminosa. O passo seguinte é a descapitalização das organizações criminosas em que nós buscamos o patrimônio oculto deles, seja como ganho do tráfico de drogas, ou seja como uma forma de ocultar o dinheiro que alimenta isso”, explicou.

Os envolvidos vão responder por lavagem de dinheiro, com pena que pode chegar a 10 anos de prisão. Segundo nota divulgada pela Polícia Federal, “essa fase da operação faz parte do processo sistemático e contínuo adotado pela Polícia Federal de descapitalização de organizações criminosas voltadas ao tráfico de drogas, com o principal objetivo de evitar a retroalimentação das atividades ilícitas”.

Nos últimos dois anos, durante a investigação, R$ 7 milhões em patrimônio dos suspeitos foram bloqueados pela Justiça. No dia 6 de outubro do ano passado, quando a operação foi deflagrada, a Polícia Federal apreendeu em Monte Mor, local de uma das buscas de hoje, R$ 180 mil em dinheiro.

O Aeroporto Internacional de Viracopos é o maior terminal em volume de cargas do País e mesmo em meio a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) continua a registrar recordes sucessivos de movimentação de carga.

Isso, no entanto, chama a atenção de traficantes no sentido de descarregarem drogas para outros destinos internacionais ameaçando e até mesmo aliciando funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços dentro de Viracopos, como foi o caso verificado na operação Overload, na qual 32 suspeitos foram presos e dois morreram.

Acesso a informações privilegiadas do esquema de segurança, ameaça a funcionários e transporte de drogas por trator, palets, malas e até com veículo de entrega de comida estavam entre os métodos de atuação da quadrilha revelados por investigadores da Polícia Federal.

Entre os funcionários e ex-funcionários terceirizados de Viracopos que atuam com a quadrilha estão vigilantes, operadores de tratores, coordenadores de tráfego, motoristas de viaturas, auxiliares de rampa, operadores de equipamentos e funcionários de empresas fornecedoras de refeições a tripulantes e passageiros, que eram os responsáveis pelo esquema de embarque das drogas nas aeronaves com destino ao exterior.

De acordo com a Polícia Federal, a quadrilha é formada por brasileiros que ficavam responsáveis pelo fornecimento de cocaína que seria levada para a Europa. Além disso, o grupo aliciou funcionários que atuavam no aeroporto para que interferissem a favor da quadrilha nas atividades de logística do terminal.

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