Unitika foi paciente que morreu na porta do hospital, avalia advogado

Perspectiva de avanço econômico do País não sustentava o que a empresa precisava para seguir funcionando; 250 funcionários já foram demitidos


Advogado da Unitika, Ricardo Inaba faz uma analogia com a saúde para explicar o fechamento da indústria têxtil de Americana, que anunciou na última segunda-feira que vai baixar as portas e dispensar 320 funcionários até o fim do ano – 250 já foram demitidos. “Isso foi o meu modo de pensar: sabe aquele paciente que chegou na porta do hospital e morreu?”.

A avaliação do advogado é que mesmo as projeções de melhora da economia não eram suficientes para fazer a empresa resistir ao fechamento. É que, nos últimos anos, a Unitika acumulou uma sequência de prejuízos “desanimadores”. “Cada vez mais o rombo estava aumentando.”

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Gerente administrativo Nivaldo Calsavara e advogado Ricardo Inaba receberam o LIBERAL ontem

Na tarde de ontem, Inaba, 54 anos de idade e 30 de Unitika, e o gerente administrativo Nivaldo Calsavara, 60 anos de idade e 42 de empresa, receberam a reportagem para falar sobre o fechamento. Na mesma sala, a capa do LIBERAL de 18 de setembro de 1960 está emoldurada. A manchete é justamente sobre a instalação da Nichibo (que mais tarde se tornaria Unitika) na cidade. Segundo eles, o quadro mostra o orgulho que têm da história em Americana.

Abatido, o gerente, que entrou na firma quando tinha 18 anos, cita que, apesar de não ser uma empresa familiar, o ambiente na Unitika era. Em alguns casos, famílias inteiras trabalhavam lá. Por isso, segundo eles, o clima foi devastador enquanto Akio Toyoda, diretor-presidente da empresa no Brasil, anunciava as notícias para os funcionários. “Péssimo, péssimo. Ele (Calsavara) chorou, eu chorei, todo mundo chorou”, conta o representante legal.

Inaba e Nivaldo não quiseram divulgar nenhum tipo de número – tamanho do rombo ou quanto as demissões vão custar, por exemplo. Mas afirmam que a empresa fechava no vermelho fazia tempo. O fechamento, conta Inaba, já vinha sendo adiado. Eles viram outras grandes têxteis fechando e pensaram: “Será que vai sobrar cliente pra Unitika? Também não sobrou”, resume o advogado da empresa.

Embora evitem apontar problemas de uma ou outra gestão, eles dizem que o governo federal nunca demonstrou preocupação em preservar a indústria. A alta carga tributária transformava qualquer expectativa de lucros em boletos a pagar.

A matriz japonesa, Unitika Limited, fez aportes para evitar que a empresa ficasse inadimplente. O fechamento também foi decisão da matriz, e, conta Inaba, faz parte de uma política da empresa no mundo. “Estão querendo fazer limpezas, onde está sendo deficitário, parar, pra não aumentar prejuízo.”

Ainda não se sabe o que será feito da área de 350 mil metros quadrados onde está instalada a empresa, e que pertence à própria Unitika. A prioridade agora, dizem Inaba e Calsavara, é cumprir as obrigações e pagar todos os funcionários demitidos até dia 6. “E uma determinação da própria matriz. Não vamos dar calote em ninguém”, afirma o advogado.

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