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Uma mãe, duas histórias

A manicure Eufrasia Agizzio, idealizadora e fundadora da Amai, descobriu que os dois filhos eram portadores de diferentes graus do transtorno do espectro do autismo em épocas diferentes da vida

Por Jucimara Lima

24 de outubro de 2021, às 09h44 • Última atualização em 24 de outubro de 2021, às 09h47

Eufrasia entre os dois filhos, Victor e Rodolpho - Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG

Quem não conhece a história olha para o sorriso simpático da manicure Eufrasia Agizzio e escuta a tranquilidade e leveza com a qual ela fala sobre assuntos pessoais delicados, não imagina o que essa mulher já passou.

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Mãe de dois filhos, a manicure viu a vida se transformar quando o caçula Victor nasceu e, pouco tempo depois, foi diagnosticado com autismo. Como se já não bastasse um dos filhos, anos mais tarde o primogênito Rodolpho também receberia o mesmo diagnóstico, porém, com graus diferentes, algo que a ciência e a genética explicam, mas que não foi fácil para o coração da mãe.

Na época em que Victor nasceu, Rodolpho tinha apenas 2 anos, e ela percebia a diferença entre os meninos. Victor tinha uma dificuldade maior para desenvolver a fala, algo que chamou a atenção dela e a fez começar a busca por respostas, entrando assim em uma batalha que se estenderia por anos.

No começo a ausência de um diagnóstico preciso a levou para uma verdadeira maratona de idas a especialistas e realizações de exames.

Apenas quando o menino tinha um ano e nove meses, finalmente veio a resposta que ela tanto buscava: Victor foi diagnosticado como o transtorno do espectro do autista, no caso dele, em um grau elevado.

Criação da AMAI. Guerreira, após a descoberta Eufrásia foi em busca de todos os direitos que o filho poderia ter e até criou um site chamado “Autismo, Nossa História” (atualmente fora do ar), para compartilhar a experiência com outras pessoas, algo que lhe rendeu um Prêmio Claudia como consultora Natura Inspiradora.

Em 2011, com o apoio de dez mulheres, ela foi além e fundou a Amai (Associação de Monitoramento dos Autistas Incluídos) em Santa Bárbara d’Oeste. “Elas eram minhas clientes, acompanharam o nascimento do Victor, toda essa história, a busca pelo diagnóstico, a dificuldade de inclusão, as terapias que ficam muito caras, enfim, eram pessoas que eu tinha contato diário”, recorda.

Uma década depois, atualmente a associação atende 24 crianças com o diagnóstico de autismo, oferecendo acompanhamento psicológico, pedagógico, fonoaudiólogo e de uma assistente social que orienta as famílias sobre seus direitos. Eufrásia explica que o transtorno é muito amplo e existem inúmeras categorias. “Tem aquele que não fala uma palavra, aquele que consegue falar uma coisa ou outra, e tem um grau muito leve, com autonomia para ir e vir”, exemplifica.

Este último é justamente o caso do filho mais velho dela. Rodolpho descobriu ser autista aos 17 anos, algo que até então nunca havia passado pela cabeça de Eufrásia. “Ele sempre foi muito elogiado na escola, muito inteligente. Eu percebia a dificuldade do Rodolpho, mas eu achava estar relacionada à convivência com o irmão que tinha o diagnóstico mais severo, além da ausência do pai, já que me separei quando eles eram muito pequenos”, recorda.

A importância do Diagnóstico. Tanto Rodolpho quanto Eufrásia passaram a compreender melhor as dificuldades que ele tinha quando veio o diagnóstico, o que se tornou um grande alívio para ele, apesar da negativa inicial.

“Agora eu entendo melhor, além disso, eu acho que a autoaceitação é uma coisa que vem com o tempo”, comenta o jovem, que tem 24 anos, é formado tecnólogo em Jogos Digitais pela Fatec de Americana, cursa licenciatura em Matemática pela Unicamp e trabalha na multinacional IBM como assistente de desenvolvimento de aplicações.

Rodolpho relembra que na adolescência se sentia muito deslocado por não conseguir se incluir nos grupos. “Eu sentia que diferia dos demais e quase nunca encontrava pessoas com quem eu pudesse compartilhar meus interesses”.

Todas essas dificuldades ficaram para trás e, de certa forma, o fato de o autismo trazer questões como o hiperfoco, hoje são até benéficas para ele. “Como eu gosto bastante de programação, quando eu me interesso por alguma linguagem ou ferramenta, eu estudo bastante, e isso é algo que me ajuda na profissão”.

Nós criamos a Amai e ao longo desses 10 anos passou muita gente em nossa vida, onde pudemos orientar, divulgar, falar, então, isso não tem preço”

Eufrasia Agizzio

Vida, hoje. Atualmente Rodolpho só faz acompanhamento psicológico, enquanto Victor está com 22 anos e mantém uma rotina de atividades com terapias. Por outro lado, Rodolpho, gosta muito do trabalho na IBM e sente que a inclusão finalmente chegou.

“As pessoas me respeitam, sou reconhecido e sinto que o que eu faço importa”, revela ele, que hoje, apesar da infância conflituosa com o irmão, mantém uma boa relação com Victor.

“Depois do diagnóstico percebi alguns paralelos entre nós”, finaliza. Mais informações sobre o autismo no site da associação: www.amaisbo.org.br .

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