Assaltante que morreu em acidente após roubos é identificado

Rapaz de 17 anos tinha participado de dois assaltos e era perseguido pela polícia quando bateu carro entre as avenidas São Jerônimo e Europa


O homem que morreu na tarde desta quarta-feira em um acidente no cruzamento entre as avenidas São Jerônimo e Europa, em Americana, quando fugia da polícia após participar de dois assaltos, foi identificado como Thiago Aron Rodrigues Agostinho, de 17 anos.

O carro que ele dirigia, um Corolla roubado de uma das vítimas, bateu em ao menos três veículos e ficou destruído. Agostinho já chegou morto ao Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana. Mais dois homens participaram dos roubos, mas nenhum deles foi encontrado até o fechamento desta reportagem.

Os crimes começaram por volta de 14h30, quando três homens renderam um motorista que trabalha para um aplicativo de transporte, na Vila Jones. Ele estava sozinho em seu Fiesta, mexendo no celular. Dois ladrões chegaram armados, um em cada janela, um terceiro entrou no banco de trás e o trio obrigou o homem a dirigir. Segundo o motorista, de 46 anos, eles diziam insistentemente: “vamos achar uma deixa” (achar um alvo).

Então, viram uma mulher entrar num Corolla perto de um mercado no Jardim São Pedro. Era a deixa que esperavam. O obrigaram a segui-la. O motorista tentava convencer os assaltantes a deixá-lo ir e levarem o carro, mas a todo momento ouvia: “Obedece senão a gente vai te matar”. Pai de dois meninos, de 1 e 7 anos, pensava neles o tempo todo.

Obrigado pelos assaltantes, o motorista rendido seguiu o Corolla até a casa da dona do carro, também no Jardim São Pedro. Eram por volta de 15h quando a mulher ia guardar o veículo na garagem e foi rendida por dois dos três assaltantes – o terceiro ficou no carro do motorista. Eles entraram na casa e amarraram ela e o filho, que já estava na residência, com fita adesiva. Um dos que entraram era Agostinho, segundo a mulher. O rapaz estava agressivo, segundo as vítimas, e revirou a casa em busca de objetos de valor, enquanto o outro, mais calmo, os vigiava. Ambos estavam armados.

Eles foram embora em cerca de 20 minutos. Saindo da casa, Agostinho guiou o Corolla, enquanto os outros dois continuaram no Fiesta com o motorista. Mãe e filho se soltaram e ligaram para a polícia.

Na área de empresas perto da Avenida São Jerônimo, o motorista teve de parar. Os pertences levados da casa foram transferidos para o porta-malas de seu carro. Ele continuou seguindo o Corolla quando uma viatura da PM (Polícia Militar) apareceu. “Quando eu cheguei atrás da Fibra, eu avistei o Fiesta à frente e o Corolla em alta velocidade atrás”, conta o cabo Osvaldo Mendes, da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas).

O Fiesta entrou numa rua de terra e a Rocam perseguiu o Corolla, onde estava Agostinho. No cruzamento com a Avenida Europa, o carro se envolveu no acidente que matou o rapaz. Mais à frente, os outros dois assaltantes mandaram o motorista parar e entraram numa mata. Eles fugiram e não foram localizados.

Alta velocidade

Na fuga da polícia pela Avenida São Jerônimo, Thiago Aron Rodrigues Agostinho bateu o Corolla roubado em ao menos três veículos no cruzamento da Avenida Europa com a Avenida São Jerônimo. Alguns dos motoristas acreditam que ele estava a mais de 100km/h. “Eu não vi de onde ele veio, passou muito rápido do nosso lado e ele já tava todo amassado, bateu no meu [carro] e foi muito rápido, ele foi fazendo assim [zigue-zague], cruzou e já deu no ônibus”, conta a professora Cláudia Andréa Menegalle, motorista de um dos carros atingidos.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Acidente na Avenida São Jerônimo terminou com a morte de um suspeito de roubos

A filha dela, a estagiária Camila Menegalle, acha que o motorista estava a “bem mais” de 100km/h. O carro então se chocou contra um ônibus escolar que estava parado no semáforo seguinte da São Jerônimo, no cruzamento com a outra pista da Avenida Europa sentido CDP (Centro de Detenção Provisória). O motorista José Alves, que faz transporte particular, estava no ônibus com mais quatro monitoras. Não havia crianças no veículo. Ele disse não ter visto o motorista até sentir a batida. Depois de se chocar com o ônibus, o carro ainda colidiu com a Montana do comerciante Marcelo Machia. “Ele tava voando”, observa.

O acidente fechou as duas pistas da avenida por volta das 16h, enquanto a polícia estava no local, e atraiu dezenas de pessoas que tentavam obter mais informações do que tinha acontecido. A assessoria de imprensa do HM informou que o rapaz já chegou sem vida. A família de Agostinho preferiu não dar entrevista.

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