‘Sou a favor do porte de armas’, diz chefe do gabinete da Casa Militar

Agora atuando no governo do Estado de São Paulo, tenente-coronel fala sobre a nova função e os principais desafios da área de segurança


Prestes a se aposentar da Polícia Militar, o então comandante do 19° BPMI (Batalhão da Polícia Militar do Interior), tenente-coronel Mauro Luchiari Júnior, recebeu o convite para chefiar o gabinete da Casa Militar do governo do Estado de São Paulo, o que o fez adiar os planos de se aposentar. Hierarquicamente, ele é o segundo no comando da Casa Militar.

De acordo com o comandante, um dos desafios na área de segurança é o fortalecimento da família e da educação. Isso poderá ser alcançado, segundo Luchiari, por meio de uma articulação com as chefias de gabinete das demais secretarias. Ele se declarou a favor da liberação do porte de armas para o “cidadão de bem”.

Em entrevista ao LIBERAL no final do ano passado, antes de assumir sua nova função, ele destacou como balanço de seus três anos à frente do 19° BPMI uma diminuição nos índices criminais nas cinco cidades de abrangência do batalhão – Americana, Artur Nogueira, Cosmópolis, Engenheiro Coelho e Santa Bárbara d’Oeste.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Luchiari: “Foi uma surpresa muito positiva, muito feliz, não esperava por esse convite”

Como surgiu o convite para chefiar a Casa Militar?

Assim que o governador João Doria (PSDB) declarou o coronel PM Walter Nyakas Júnior como secretário-chefe da Casa Militar, ele por sua vez fez esse convite a mim para chefiar o gabinete. Foi uma surpresa muito positiva, muito feliz, não esperava por esse convite, não só eu como minha família – meus pais, irmãos, esposa e filhos, e todos amigos. Todos oficiais e praças do 19° Batalhão ficaram felizes, porque viram um reconhecimento, não só à minha pessoa, mas ao trabalho desenvolvido junto ao Batalhão, incorporando Santa Bárbara d’Oeste, Americana, Engenheiro Coelho, Cosmópolis e Artur Nogueira. É um trabalho de servir e proteger com uma grande verdade. Não é um servir e proteger só da boca pra fora, é de coração mesmo.

Quais suas atribuições?

Temos na Casa Militar a Defesa Civil, muito importante para o Estado todo, nas necessidades de eventual chuva forte, desbarrancamento, algum desastre natural. Junto com os coordenadores da Defesa Civil vou me inteirar, ver como estão as necessidades do Estado pra fazer não só a parte preventiva, mas se tiver alguma coisa grave fazer o mais rápido possível a parte corretiva para que a sociedade não sofra com perdas. Temos também a segurança do governador, seus familiares, vice-governador e seus familiares. É um trabalho importantíssimo pois afinal estamos no Estado mais rico da federação – rico em todos os sentidos, não só monetário – o que demanda um cuidado muito grande com a figura do governador, e da sua família. Temos também a parte de segurança do Palácio dos Bandeirantes em si, todas as instalações, temos um corpo de policiais militares para esse trabalho. Criado há seis meses, temos um centro de animais domésticos (Pet São Paulo) que tem dado muitos frutos para o Estado de São Paulo, e isso ficará a nosso cargo. Logicamente na parte de chefia de gabinete há também a integração de todos os chefes de gabinetes das secretarias do Estado.

Tem alguma prioridade, alguma demanda que vai tentar implantar?

Estava pensando justamente nessas demandas. Percebi que ao longo da trajetória de nossos candidatos, não só à presidência, mas também governo, deputados, senadores, falou-se muito da segurança pública. Infelizmente a sociedade está vivendo algo que não tínhamos visto no país. Por que a questão da segurança chegou a esse pé? Porque faltam os dois pilares principais – a família, logicamente pautada por Deus, e a educação. Sempre digo aos nossos oficiais que o importante não é nossa instituição estar fortalecida para o combate da criminalidade, mas sim as outras instituições que tem a obrigação de educar as pessoas, dar bom emprego, fazer com que tenha vida com dignidade junto a sua família, é muito mais importante. Acho que esse é o grande desafio, fazer com que toda nossa instituição – PM e integrado com outras secretarias – desenvolvam um trabalho nesse sentido. A família valorizada na parte de dignidade, emprego, educação pedagógica, formação do caráter das pessoas, para que tenha uma sociedade mais saudável.

Já fez um balanço do seu tempo à frente do 19° Batalhão?

A redução dos índices criminais nas cinco cidades que compõem o batalhão. Ao longo desses três anos, não pelo meu mérito, mas de todos pelo trabalho desenvolvido, os índices criminais caíram bastante. No plano SP Contra o Crime (que premia as polícias de São Paulo com base na redução de índices criminais), temos as bonificações sendo recebidas a cada trimestre justamente pelo fato de termos derrubado a criminalidade na nossa região. Esse é o carro-chefe de todo o batalhão.

Qual desafio você deixa para o Batalhão?

Temos já a cada ano um prêmio da qualidade da Polícia Militar, com relatórios anuais, e esse ano (2018) recebemos em grau prata. Temos todo um planejamento de 2019. Se seguir tudo que está alinhado entre oficiais e praças, tem tudo pra dar certo para reduzir ainda mais os índices criminais, e logicamente das demandas que possam aparecer nas ocorrências do dia a dia, principalmente na área de treinamento dos policiais. Fazer com que eles conheçam mais e mais a legislação da Polícia Militar, o treinamento prático.

Uma questão de segurança pública que chamou a atenção nas últimas semanas foi o ataque à Catedral de Campinas. Facilitar acesso às armas pode resultar em mais ataques como esse?

Porte de armas é muito polêmico. Mas sou sim a favor do porte de armas, logicamente pro cidadão de bem. E pode ter certeza que o cidadão que não é de bem, a partir do momento que deseja ter uma arma, vai buscar no meio criminoso. Não basta ter arma e não saber usar. O momento e ter a coragem de usar são fatores primordiais. E a gente fica imaginando se alguém que estivesse portando uma arma, uma pessoa de bem, que estivesse dentro da catedral, não poderia ter reagido contra ele e eliminado o mais rápido possível, sem que ele pudesse ferir o maior número de pessoas? É uma reflexão.

Como o policial militar tem que ser treinado para agir de forma rápida para impedir uma ação como a do atirador da Catedral?

Hoje o policial militar é aquilo que ele treina. Quanto mais ele treina, mais condições de fazer uma ação rápida e certeira, com 100% de ação positiva, ele tem. Então isso que é importante, e o que destaco dentro do 19° é o treinamento. Logicamente, a sociedade vê a viatura fazendo o patrulhamento, aquilo é o trabalho dele. Mas nos horários de folga e anualmente temos estágios de aperfeiçoamento profissional, cursos, nossa Força Tática, Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) e patrulhamento, que treinam praticamente todos os dias.

Em termos de segurança pública, qual a expectativa com Jair Bolsonaro?

A esperança de todos nós, não só policiais militares, mas de toda a sociedade, é que haja uma grande mudança, ou pequenas mudanças, em termos de legislação. Para que favoreça o cidadão de bem e que o criminoso seja punido, e que essa sensação de punição chegue até quem tem a intenção de cometer um crime, mas não o faça porque vai ter a certeza que se for pego será punido e vai sofrer consequências.

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