Sobre duas rodas: programador realiza viagem de 10 mil quilômetros

Quatro anos depois de ver interrompido o sonho de rodar dez mil quilômetros pela América do Sul, programador supera trauma e cumpre a meta


Há quatro anos, o programador Lucas Rodrigo Borges saiu de casa para realizar o sonho de viajar de moto por países da América do Sul, mas a viagem de dez mil quilômetros (e o sonho) foram interrompidos ainda perto do local de partida. Um pneu estourou, Lucas capotou a moto e foi parar no hospital. Ali decidiu nunca mais subir numa moto, mas encorajado pela mãe mudou de ideia. Driblou o trauma das duas rodas, superou o medo e retomou o sonho. Em janeiro de 2019, finalmente chegou ao destino interrompido pelo pneu estourado e voltou para casa cheio de histórias para contar.

Foto: Arquivo pessoal
Lucas Rodrigo Borges saiu de casa para realizar o sonho de viajar de moto

Foram exatos 10.200 quilômetros percorridos durante 23 dias de viagem. Lucas partiu de Americana em 3 de janeiro e retornou no dia 25. Rodou por outros quatro países além do Brasil: Paraguai, Argentina, Bolívia e Chile.

Ele fez a viagem acompanhado pelo amigo Márcio Volpi, um empresário de Guarulhos. “Estamos no mesmo grupo de motoclube e quando ele disse que faria a viagem, topei na hora”. A dupla de motoqueiros viajava, em média, 500 quilômetros por dia e caiu na estrada equipada com barraca de camping e muita comida, já que o objetivo era fazer uma viagem de baixo custo.

Foto: Arquivo pessoal
Ele fez a viagem acompanhado pelo amigo Márcio Volpi

Em mais de 20 dias fora de casa, Lucas gastou perto de R$ 6 mil. Isso inclui os R$ 650 com o pneu que precisou trocar e os R$ 620 com compras. “Se não fossem as economias com a estadia e alimentação, teria gastado o dobro”. O programador conta que rodava o dia todo e nos pontos de parada sempre encontrava um local para montar a barraca e passar a noite.

Dos 23 dias de viagem, acampou em 20. “Só mesmo quando não tinha jeito dormíamos em hotel”. Ele também fazia a própria comida e, precavido, carregou até combustível extra. “Em alguns trechos rodávamos mais de 400 quilômetros sem encontrar um posto. Então o jeito era carregar gasolina extra para alguma emergência”.

Foto: Arquivo pessoal
Dos 23 dias de viagem, eles acamparam em 20

O “vento no rosto” e o sabor de aventura fizeram cada quilômetro percorrido valer a pena. Na bagagem de volta trouxe histórias como a do dia em que vivenciaram temperaturas extremas – “Fomos de zero a 40 graus no mesmo dia” (em São Pedro do Atacama) – ou da cidade que deixaram para trás (Tongay, no Chile) um dia antes de um terremoto abalar o local e fazer vítimas fatais. “Passamos por essa cidade e depois ficamos sabendo do terremoto. Foi por pouco”.

Entre os locais que conheceram também estão o Salar de Uyuni (ou “deserto de sal”) na divisa entre a Bolívia e o deserto de Atacama, no Chile, e a estrada Los Caracoles e suas intermináveis curvas.

“Numa viagem longa como essa, que atravessa fronteiras e desertos, a maior preocupação é não sofrer nenhum acidente. Por isso, ter companhia para enfrentar a aventura é a principal dica de Lucas aos viajantes que estão planejando algo parecido. “Não aconselho ninguém a fazer isso sozinho. Ter companhia é importante para ter segurança. Em caso de acidente, vai ter alguém para te socorrer”.

Foto: Arquivo pessoal
Eles rodaram 10.200 quilômetros durante 23 dias de viagem
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